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21 novembro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 12



O fim da participação do Soul Brasil no Kulturfestival Mørket aconteceu em um centro cultural que parecia Brasília, na cidade de Herning. Lá aconteceu a "cerimônia" final do festival. Era dia 31 de outubro, Dias das Bruxas...







... e elas estavam soltas no gramado, penduradas como espantalhos.



Sob um frio de quase ZERO graus, e vento cortante, o Soul Brasil fez sua participação na cerimônia final em cima de um telhado, tocando um baião e um samba na percussão.

Três dias depois, enfrentamos neve, chegando na Nørregards Højskole, em Bjerrinbro (pronuncia-se "biérrinbrro"). Prova de que o outono estava mesmo "invernal". O baixista Filipe Barthem gravou o "evento".

20 novembro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 11

O encontro com novas pessoas e seus jeitos diferentes foi uma das melhores experiências de toda a viagem. No cotidiano do Festival Mørket, ou nos momentos em que a banda voltava para a "sede" em Holstebro, sempre dava-se um jeito de trocar figurinhas com novos amigos.



No dia-a-dia, o encontro com outros artistas gerava algumas cenas hilárias. Aqui, o ator e músico Jan Ferslev, do mundialmente aclamado Odin Teatret, "a caráter", batia um papo com nosso saxofonista e produtor Hans Købberø.



O trombonista Henrique Hayashi não quis trocar sua cachaça brasileira pela pinga dinamarquesa (famosa "snapps", feita de batata, aaaarrgh...) oferecida pela atriz letoniana Zanda Priedite.



Sempre a postos para as intervenções, a atriz Kirstin Elisabeth Jensen deu uma folga para seu personagem - o "corvo" - e abriu um sorriso maroto.



A atriz e contadora de histórias Ingrid Hvaas deu uma palhinha logo no primeiro dia, cantando uma música que parecia ser engraçada, mas que ninguém entendeu...



O ator húngaro Imre Pétkov, do grupo de teatro Zamok, logo incorporou sua personagem "vaca" e azucrinou a banda com seus cowbells já no primeiro encontro, num samba dentro do ônibus vermelho.



O produtor e saxofonista Hans Købberø ensinou a receita do Fransk Hot Dog, cachorro-quente à moda dinamarquesa, que leva mostarda (bem forte), remoulade (um tipo de maionese meio adocicada, lê-se "remulêiloe").



Numa das escolas onde por onde o Soul Brasil, a roda de violão foi comandada por André Gião.



No piano, André Gião também encantou seus amiguinhos, Mãozinha (direto da Família Adams) e Cabecinha (primo distante de Rodrigo Serra, o Cabeção do Recife).



Em um churrasco após o fim do festival, nossos novos amigos Mathias, Stine e Louise se arrebentaram de beber, comer e também de rir com os videoclipes psicodélicos e toscos de Marli, apresentada a eles como "a vanguarda lixo da música brasileira contemporânea".



E qual não foi nossa surpresa ao embarcarmos num ferry-boat para Copanhague e encontrarmos por acaso a artista plástica Sophie Hjerl (primeira à esquerda), que se tornou também uma amiga durante o festival Mørket?

19 novembro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 10

Nas idas e vindas entre as cidades em que o Soul Brasil tocou na Dinamarca, o grupo sempre achava um jeito de descansar e se divertir, principalmente no "cafofo" - a garagem que Hans adaptou em sua casa em Holstebro para receber o grupo.



Nos momentos de descontração, rolava até prática de tiro ao alvo na porta da garagem, com espingarda de pressão.



O cafofo também foi útil para a prática do churrasco "indoor", já que a temperatura externa beirava o ZERO grau... O baixista Felipe Barthem assou uma maravilhosa peça de maminha com alcatra coberta com creme de alho...



... e eu acertei na receita do famoso "bife de véia", feito com carne moída de porco, bacon e recheado com mozarela.



Entre um show e outro, o guitarrista André Gião sempre procurava o melhor lugar para praticar seu instrumento e não passar sede...



Nas madrugadas frias, o grupo procurava se distrair com muita jogatina - vinho, dados, cartas e gritaria. Malagutti tirava fotos da zona...



... enquanto eu tinha um jogo "ótimo" na mão de truco.



Alguns não agüentavam e dormiam na passagem de som mesmo, enquanto outros tinham o sono perturbado pelos sacanas de plantão (veja no vídeo)!






Parece que os dinamarqueses também tinham uma rotina interessante. Na escola de música Den Rytmyske, um caminhão parou para fazer uma entrega...

18 novembro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 9



Animais na estrada. Brasileiros indo para o "centro" da cidade, pela estradinha cercada dos tons dourados do outono "invernal" da Dinamarca. Viadinhos à vista.



Observava-nos um dos seres mais estranhos que já vi: um boi da raça escocesa, peludo igual a um cocker spaniel, chifrudo igual a um zebu.



Na fazenda de Magnus e Tøve, os desbravadores Henrique Hayashi, Alexandre Malaguti e Thales Lemos se aventuraram no lago. Pra fotografar, só com o auxílio de uma luneta.



Para retribuir o tratamento impecável e atenção carinhosa que recebemos dos anfitriões, fizemos um show "acústico" para os donos da fazenda e seus amigos dinamarqueses, com vista para o lago e luz de velas.



De noite, um momento introspectivo: apresentação de coral na igrejinha de Kølkkaer, apresentando melodias religiosas em uma espécie de missa-show, acompanhados por um órgão de tubos. Emocionante.

05 novembro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 8

Em Glusted, cidadezinha de 300 habitantes, tivemos a recepção mais calorosa entre todas as localidades que receberam a Kulturkaravan do festival Mørket.



Após a chegada do nosso ônibus vermelho à cidade, cerca de 22h45, os moradores estavam tão animados que organizaram um coral de "cantores bombeiros" para nos recepcionar.



Ficamos então hospedados pela primeira vez na casa de um dos moradores da cidade. E o nosso local não podia ser mais charmoso e aconchegante: uma fazenda, que contava com uma casa de hóspedes super bem-equipada.



Além de quartos com excelentes camas, tínhamos uma sala de estar que logo se transformou em sala de vídeo...



... sala de jogos (principalmente yatzy, jogo de dados bem famoso por aqui)...



... e sala de festas, numa noite em que, após o primeiro show do Soul Brasil na cidade, convidamos nossos colegas do grupo de teatro Zamok para tomar umas cervejas. Acontece que vieram umas 20 pessoas junto, entre moradores e organizadores do festival. Acabou tudo em brinde de cachaça (brasileira) e pinga de batata dinamarquesa,...



... trazida pelo casal anfitrião, Mads e sua esposa Ingeborg (pronuncia-se "meds" e "inguebô"), que ainda deram de presente para a cantora Gisele Silva uma garrafa de pinga especial, aromatizada com ervas e flores.

03 novembro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 7

Nessa viagem do Soul Brasil pela Dinamarca, de vez em quando a gente se depara com coisas e hábitos que nos fazem sentir mesmo em um lugar de primeiro mundo. Sem deslumbramento, sem encantamento infantil, mas algumas imagens desse país de guerreiros, com mais de mil anos de história, dão o que pensar.

Sim, eles foram vikings e fizeram guerras e derramaram muito sangue, mas desenvolveram também um senso de comunidade que está presente em tudo e em todos. Chega a ser estranho para nós brasileiros. Quem sabe não faltou mesmo uma guerra para unir de verdade nosso país?...



A biblioteca pública de Holstebro, cidade de 30 mil habitantes. Mais de 30 computadores ligados à internet, disponíveis gratuitamente para a população. Milhares de livros, discos e CDs.



Antiquário localizado em Lyngs, cidadezinha com menos de 2 mil habitantes, gerenciado por uma senhora de mais de 70 anos.



Geada em Holstebro, após madrugada de menos de 0 C. Mas aqui a grama e as flores aguentam a parada.



Show de dança das crianças em Velling, após participarem de workshops com os atores do grupo Zamok. É interessante o cuidado com iluminação de todos os eventos, que criam atmosferas mágicas como essa. E haja velas, abajures, tochas, tudo sempre disponível. Parece que nada falta.



Centros esportivos e culturais são comuns mesmo em comunidades pequenas, de menos de 1 mil habitantes. Nesse aqui, localizado em Hvjlberg (pronuncia-se "vilbierg"), crianças praticavam esportes no salão de festas enquanto montávamos o palco para o show a noite. Contavam com equipamento completo de ginástica, instrumentos musicais (alguns até melhores que os nossos), salas de estudos com biblioteca, lanchonete, além de equipe de voluntários que davam aulas de diversas atividades.



O patriotismo também é uma forte marca. Tem bandeiras em todo lugar: enfeites de mesas, palitos de dentes, em escolas, museus, empresas, e em várias casas. Há anúncios no jornal com promoções de mastro para bandeiras de diversos tamanhos. Esse aí foi na escola primária de Hover-Torsted, distrito de Velling, onde ficamos hospedados durante três dias.

26 outubro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 6

O povo dinamarquês não é dos mais calorosos. Mas só porque não dão beijinho no rosto não quer dizer que não sejam amáveis e atenciosos. Notamos que, por todas as cidades pelas quais passamos com o festival Mørket, as pessoas mostram seu carinho não por abraços e beijos, mas pela forma com que se esforçam para acertar os mínimos detalhes de cada evento. Não há uma mesa sequer que não seja decorada com flores e frutas; não há um café-da-manhã em que não haja pão quentinho e fresco; não há jantar sem fartura de comidas e bebidas.

Além disso, os anfitriões que recebem os artistas são extremamente educados e discretos, deixando-nos à vontade para fazer o que quisermos em suas próprias casas. Só na Dinamarca dá pra imaginar uma festa em que os hóspedes fazem a bagunça com os anfitriões dormindo, onde os hóspedes abrem a geladeira e tiram o que quiserem, onde abrem o balcão de bebidas e bebem o que desejarem. Essa é a maneira dinamarquesa de receber: faça o que quiser, pois o que é meu é seu também. "Mi casa, su casa", literalmente. Porque sempre levam em consideração a responsabilidade do outro, respeitam a individualidade, e contam com a integridade de quem está ao lado deles.



Na fazenda de Børge e Helle, nossa sede em Idom-Råsted, dormimos espalhados pelos cômodos da casa, mas era tão confortável que parecia estávamos em nosso próprio lar.



Fomos tão bem recebidos que decidimos retribuir. Fizemos um feijão amigo com arroz e bacon, pra mostrar pra eles um pouco do sabor da comida brasileira.



De sobremesa, um chocolatinho dinamarquês que derrete na boca, com vinho e coca-cola.



Na noite do show, o estábulo virou restaurante e night club pra mais de 60 pessoas.



Na mesma noite partimos para Brande, onde tínhamos um show às 11h da manhã do dia seguinte. Ainda na madrugada, experimentei o som do piano Yamaha que estava lá à disposição. O batera Thales Lemos registrou.

25 outubro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 5



Em Idom-Råsted, cidade de 700 habitantes, há mais fazendas do que casas. A nossa cantora Gisele Silva foi conferir logo cedo a paisagem.



Ficamos hospedados na fazenda do casal Børge e Helle (pronuncia-se "boeo" e "éle", com biquinho). Eles participaram de um workshop de percussão com Alexandre Malagutti, Duda, Thales Lemos e Henrique Hayashi.



O casal transformou um antigo estábulo em uma grande sala de estar, que usamos para tomar cervejinhas (Dansk, a mais baratinha, mas que já é bem mais interessante que a maiorias das cervejas brasileiras)...



... e ouvir uns LPs antigos. Na Dinamarca todo mundo só escuta música americana, e achamos alguns discos bem típicos da década de 70, como este do Boney M - lembrei do meu amigo Sardinha, que é fã de tudo o que foi feito nessa época. Olha o naipe dessa capa!



A discotecagem ficou a cargo de nosso novo amigo Michael Dryhborg, que é o assessor de imprensa do festival Mørket e já trabalhou em rádios. Aqui ele segura um disco que só contém pérolas do cancioneiro dinamarquês.



No café-da-manhã comunitário, a atriz e contadora de histórias Ingrid Hvaas sempre canta uma canção, acompanhada pela percussão do Soul Brasil. Nesse dia, Duda e eu puxamos um baião.



Em seguida, partimos de ônibus para um passeio com os moradores pela região, tocando jazz em ritmo de samba, frevo, baião e etc... Jazz puro.



No jantar, uma iguaria inédita: carne de veado ao vinho. Batatinhas assadas pra acompanhar, e um bom vinho australiano. Show de bola!