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13 janeiro 2012
ETC & Jazz - programa 52
Nessa edição tivemos a honra de transmtir os sons de Patricia Barber, Louis Armstrong, Vitor Assis Brasil, John Scofield, Branford Marsalis, Sadao Watanabe e a dupla Wayne Shorter & Herbie Hancock. Podem baixar o programa aqui se preferirem.
24 maio 2011
ETC & Jazz - Programa 34
Programa transmitido em 17/5 que destacou uma apresentação ao vivo do baterista Jeff "Tain" Watts no bar Blue Note, de Nova Iorque, e mais os sons de Steffano Bollani Trio, Gary McFarland Orchestra, a dupla Jim Hall e Ron Carter, Wayne Shorter em sua fase oitentista, Tony Bennett fazendo uma homenagem a Duke Ellington e a pequena revelação Nikky Yanofsky fazendo um tributo a Ella Fitzgerald. Ouça acima ou baixe aqui.
14 março 2011
ETC & jazz - Programa 24
Nesta edição do ETC & jazz, transmitida em 8/3, tocamos um choro do pianista Cristóvão Bastos, a homenagem a Carlos Santana feita por John Scofield e Metropole Orkesta, a improvisação coletiva de Danilo Perez, Jack DeJohnette e Jonh Patitucci, o clássico "Speak no Evil" com Wayne Shorter, o pianista cubano Roberto Fonseca, o grupo Out of The Blue e uma balada com Roy Hargrove. Baixe aqui.
23 fevereiro 2011
Na estrada da improvisação
O baterista adianta o ritmo, o piano dança sobre o baixo, o sax sobrevoa tudo, e todos seguem na mesma direção, desbravando a mesma música a partir de linhas e planos múltiplos, emaranhados, mas que se tocam e se concretizam em pontes, degraus, corrimãos, alçapões, chãos e outros pontos de apoio para os aventureiros que atravessam o nebuloso terreno.
Parecem cegos, mas sabem se guiar confiando nas pistas que vão deixando um para o outro. Parecem mentalmente confusos, mas conseguem saber o que o outro está pensando. Parecem perdidos mas avançam, prosseguem o curso da viagem às apalpadelas, passos curtos e firmes. E assim que alguém encontra terreno sólido, e não demora para os outros começarem novas explorações a partir daquele ponto.
Comunicação sem palavras. Expedição sem mapa. Criação coletiva. Todos sabem onde ir, mas o "como" é que vai sendo construído a cada nota, cada gesto, cada expressão. Linhas fugazes delimitam o caminho, mas logo se redesenham quando alguém pega um atalho. Os limites se alargam, o horizonte é mais além. Quanto mais longa a estrada, mais desafiadora e divertida se torna a viagem. Road of jazz.
Parecem cegos, mas sabem se guiar confiando nas pistas que vão deixando um para o outro. Parecem mentalmente confusos, mas conseguem saber o que o outro está pensando. Parecem perdidos mas avançam, prosseguem o curso da viagem às apalpadelas, passos curtos e firmes. E assim que alguém encontra terreno sólido, e não demora para os outros começarem novas explorações a partir daquele ponto.
Comunicação sem palavras. Expedição sem mapa. Criação coletiva. Todos sabem onde ir, mas o "como" é que vai sendo construído a cada nota, cada gesto, cada expressão. Linhas fugazes delimitam o caminho, mas logo se redesenham quando alguém pega um atalho. Os limites se alargam, o horizonte é mais além. Quanto mais longa a estrada, mais desafiadora e divertida se torna a viagem. Road of jazz.
16 junho 2010
Serenata, em várias versões
Todas as nações têm seu cancioneiro básico, espécie de arcabouço de sons e melodias a que todos os compatriotas se referem com saudosismo ou ternura. Músicas que, apesar de terem sido compostas por gente de carne e osso, parecem fazer parte do próprio ar, trazidas por vento, soando em tardes de carnaval, no assobio do guarda em noturnas boemias, perdidas no alto-falante de algum radinho AM em alguma rodoviária.
Essas músicas estão sempre nos trazendo emoções que nos são familiares, constituindo ilhas de terra firme em meio a oceanos de sons caóticos e muitas vezes agressivos da vida urbana. Essas canções parecem sempre ter feito parte de nossa existência, já estavam lá antes que Cabral pusesse os pés por aqui, sambas-enredo prontinhos antes mesmo de inventarem o Carnaval, bossas-novas falando da Garota de Ipanema antes que ela tivesse nascido, como trilha sonora difusa entre as cenas cotidianas vividas por cada um de nós.
"Brasil, meu brasil brasileiro", "Isso aqui ô ô", "Não posso ficar, nem mais um minuto com você, cas cari gudum, cascarigudum", "Felicidade, fooooooi simbora..." (respectivamente: "Aquarela do Brasil", "Isso aqui o que é" ambas de Ari Barroso; "Trem das onze", de Adoniram Barbosa; e "Felicidade", de Lupicínio Rodrigues). Canções que tiramos da cartola quando queremos embalar uma roda de cantoria, mesmo sem saber direito a letra, mas com a melodia mais do que decorada.
A mesma coisa fazem os artistas. Quantas versões já ouvimos pra "Lamentos" ou "Carinhoso" (ambas de Pixinguinha). Nos EUA também os cantores, instrumentistas, compositores e arranjadores recorrem a este cancioneiro onipresente e eterno para elaborar novas possibilidades de interpretação. Há uma canção, chamada "Serenata", composta por um desses autores prolíficos e universais, chamado Leroy Anderson (1908 - 1975).
Famoso por criar pequenas obras orquestrais, leves e com melodias inesquecíveis, Anderson foi o primeiro artista da música instrumental a vender 1 milhão de cópias, tamanha era a popularidade de suas peças.
A famosa cena do comediante Jerry Lewis datilografando foi elaborada sobre a música "The typewriter", de Leroy Anderson
Suas músicas tinham esse caráter simples, de extrema elegância e bom gosto, com aquela qualidade de "grudar" e não sair mais da cabeça. Ou então de parecer como uma dessas canções eternas, que sempre existiram antes mesmo de alguém ter pensado em compô-las. Resultado de uma sensibilidade para dar à melodia contornos surpreendentemente inovadores e belos dentro de uma estruturação harmônica por vezes previsível, mas nunca pobre ou simplista.
Uma de suas composições mais famosas - e mais tocadas por artistas de diferentes estilos nos EUA - é "Serenata", criada originalmente como um bolero de matiz espanhol em 1947. A música recebeu letra de Mitchell Parish em 1949. Desde que a ouvi pela primeira vez, há uns cinco anos, tocada por Wayne Shorter em um belíssimo arranjo para sopros, fiquei apaixonado por sua melodia. Fiz então um pequeno apanhado de várias 16 diferentes interpretações dessa canção por diferentes de artistas do jazz - com exceção da presença da cantora popularesca Julie Joy que, apesar do nome, é brasileira e canta a letra em uma versão romântica, em português -, mostrando como o arranjo pode ser modificado de mil maneiras diferentes, mas sempre destacando a força da melodia de Anderson.O arquivo contém ainda uma partitura do tema (lead sheet, retirada do livro "Jazz Ltd."), em formato PDF.
1) Leroy Anderson ("The Leroy Anderson Collection", 1988), regendo a versão original, com introdução e final que lembram um pasodoble espanhol, em tom menor;
2) Joe Pass ("Eximious", 1982), em versão trio, com muito suingue num arranjo meio "pseudobossa", mais rápido;
3) Nat King Cole ("Nat King Cole Sings, George Sharing Plays", 1962), acompanhado do lendário George Sharing ao piano, cantando em ritmo de bossa-bolero, com sua nitidez e elegância de sempre;
4) Quincy Jones e sua "Big Band Bossa Nova" (1962), puxando o tema num samba-canção com direito a pandeiro. Ele cita num interlúdio os acordes "espanhóis" da introdução original de Anderson;
5) Cannonball Adderley ("Takes Charge, vol.6", 1959), tocando o tema como um bom standard merece: com introdução estilosa, tema suingado e improvisações virtuosísticas;
6) Earl Klugh ("Naked Guitar", 2005), tocando o tema no violão, em versão solo. A clareza de cada nota, o timbre impecável do violão e as surpresas harmônicas que Klugh introduz na canção tornam essa gravação uma das melhores da seleção;
7) Stanley Turrentine e Shirley Scott ("Soul Shoutin'", 1963) tocam o tema com muita ginga - Stanley no tenor, Shirley no órgão Hammond B-3 são uma dupla imbatível no quesito suíngue;
8) George Sharing ("Latin Affair", 1958) tocando o tema com uma levada latina. Um pouco desconcertada, mas destacando os famosos "block chords" de Sharing na improvisação;
9) Larry Goldings ("Caminhos Cruzados", 1994) traz o tema novamente para o universo do órgão Hammond, passeando pela bossa-nova com sutileza impressionante;
10) Julie Joy ("Jóias de Julie Joy", 1958) foi uma das últimas cantoras da época de ouro do rádio a atingir algum sucesso. Nessa interpretação estilo "rumba" pra terceira idade, fica bem clara a intenção dramática, estética dominante na época pré-bossa nova. Vale pela curiosidade de ver a música cantada em português;
11) Alan Broadbent ("Round Midnight", 2005) faz um estrago na música. No bom sentido, é claro. Seu piano tem os voicings mais dignamente bem-executados desde Bill Evans, e seu improviso é tão límpido quanto a estética jazzística permite sem perder a essência "malandra" do jazz;
12) Cal Tjader ("A Fuego Vivo", 1981) imprime a latinidade nessa versão em que modifica a métrica (toca o tema num afro 6/8). Latin jazz fino;
13) Art Farmer e Benny Golson ("Meet the Jazztet", 1960) dão uma interpretação hard-bop ao tema, começando com um tipo de batida afro 12/8 e improvisando num andamento 4/4 rápido, típico da época;
14) Ray Barretto ("Contact!", 1997) transforma o tema em uma verdadeira explosão de latinidade, com a percussão e o arranjo de metais típico dos "conjuntos" cubanos;
15) Harold Vick e Herbie Hancock ("Watch What Happens", 1967), com sax tenor e rearmonização típica do mestre do piano. A levada de bossa-nova e o "corinho" na introdução deixam a gravação com uma cara meio brega, mas logo o jazz aparece nas improvisações;
16) Wayne Shorter ("Alegria", 2003) faz a melhor reinterpreção do tema, deixando-o com uma harmonia modal que impressiona pela beleza. O arranjo é, de longe, o mais elaborado de todos, com uma introdução de cair o queixo, usando o mesmo motivo da introdução "espanhola" de Anderson, porém num tempo desdobrado e nova moldura harmônica. O piano logo introduz um riff de acordes quartais que dá nova estrutura à música, que soa enigmática, fragmentada, leve e delicada.
Serenata (Leroy Anderson) - 16 versões (arquivo .rar, 122Mb)
14 março 2010
Milagre do Jazz
Milton Nascimento, no auge de sua carreira, se apresentando no Festival de Jazz de Montreal (Canadá). A música é a primorosa "Milagre dos Peixes" - milagre de complexidade e singeleza que só os gênios atingem em suas composições.
No show, gravado em 1990, o convidado especialíssimo Wayne Shorter destila notas inimagináveis ao sax soprano (aos 2'20'' ele começa o solo na mesma nota aguda que Milton emite no final de seu canto, e vai acrescentando elementos de grande expressividade até o final da música).
Shorter gravou o disco "Native Dancer", em 1974, ao lado do mineiro, improvisando e arranjando quase somente as canções de Milton (o pianista era Herbie Hancock, imagine o som...). Não há palavras para descrever as possibilidades. As composições oníricas, épicas, sensoriais de Milton (e sua voz sobre-humana) com o sax post-bop de Shorter. Só ouvindo pra crer.
O disco já fazia minha cabeça há anos, quando o encontrei numa das obtusas (e quase sempre surpreendentes) gôndolas das Lojas Americanas, custando uma merreca. "Tarde", "Ponta de Areia", "Milagre dos Peixes", além de composições funkeadas de Shorter e Hancock. Delírio tropical, de dois gênios americanos se arriscando na gruta azul mineira que é o universo poético de Milton. Não dá pra saber se resulta em um disco de música brasileira ou de jazz, pois os melhores elementos desses dois mundos se mostram de forma inseparável - seja nos ritmos intensos, seja na espontaneidade da interpretação.
Native Dancer (1974)
Wayne Shorter (soprano & tenor saxophones); Milton Nascimento (vocals); Herbie Hancock (piano, rhodes); Airto Moreira (percussão); Dave McDaniel (baixo), Robertinho Silva (bateria), Wagner Tiso (piano), Jay Graydon e Dave Amaro (guitarra & violão).
1. Ponta De Areia; 2. Beauty And The Beast; 3. Tarde; 4. Miracle Of The Fishes; 5. Diana; 6. From The Lonely Afternoons; 7. Ana Maria; 8. Lilia; 9. Joanna's Theme
No show, gravado em 1990, o convidado especialíssimo Wayne Shorter destila notas inimagináveis ao sax soprano (aos 2'20'' ele começa o solo na mesma nota aguda que Milton emite no final de seu canto, e vai acrescentando elementos de grande expressividade até o final da música).
Shorter gravou o disco "Native Dancer", em 1974, ao lado do mineiro, improvisando e arranjando quase somente as canções de Milton (o pianista era Herbie Hancock, imagine o som...). Não há palavras para descrever as possibilidades. As composições oníricas, épicas, sensoriais de Milton (e sua voz sobre-humana) com o sax post-bop de Shorter. Só ouvindo pra crer.
O disco já fazia minha cabeça há anos, quando o encontrei numa das obtusas (e quase sempre surpreendentes) gôndolas das Lojas Americanas, custando uma merreca. "Tarde", "Ponta de Areia", "Milagre dos Peixes", além de composições funkeadas de Shorter e Hancock. Delírio tropical, de dois gênios americanos se arriscando na gruta azul mineira que é o universo poético de Milton. Não dá pra saber se resulta em um disco de música brasileira ou de jazz, pois os melhores elementos desses dois mundos se mostram de forma inseparável - seja nos ritmos intensos, seja na espontaneidade da interpretação.
Native Dancer (1974)
Wayne Shorter (soprano & tenor saxophones); Milton Nascimento (vocals); Herbie Hancock (piano, rhodes); Airto Moreira (percussão); Dave McDaniel (baixo), Robertinho Silva (bateria), Wagner Tiso (piano), Jay Graydon e Dave Amaro (guitarra & violão).
1. Ponta De Areia; 2. Beauty And The Beast; 3. Tarde; 4. Miracle Of The Fishes; 5. Diana; 6. From The Lonely Afternoons; 7. Ana Maria; 8. Lilia; 9. Joanna's Theme
23 setembro 2009
George Benson, um golpista?
Em sua coluna no site yahoo, o editor Regis Tadeu desceu o sarrafo no novo disco do guitarrista e cantor norte-americano George Benson, "Songs and Stories". Acho que Regis se decepcionou com o disco por basear sua opinião em uma noção errada: achar que Benson fosse um be-bopper. Por isso está um pouco exaltado na coluna, ao afirmar que o guitarrista "vendeu a alma" ao produzir um disco que é "uma trilha sonora perfeita para uma festa de bodas de prata".
Escutem e tirem suas conclusões:
"Digam se o solinho que começa aos 2 minutos é coisa de "comercialismo"...
Pergunto para o Regis Tadeu: porque Benson vendeu a alma? A alma dele não pode ser essa aí que estamos ouvindo, do cara que produz sucessos comerciais misturando boa técnica musical com melodias que "pegam" no ouvido? Benson faz o que faz com maestria, não apenas por "se preocupar em agradar um mercado que poderia lhe render uma grana muito maior". Esse é seu verdadeiro talento. Ao contrário do que afirma Tadeu, Benson é, sim, livre para fazer a música que ama, e é essa a que ele sempre fez.
Já há muitos anos que Benson é considerado um artista comercial no meio musical americano. Só os brasileiros aqui é que não sabiam direito o que era jazz e achavam que Benson era um be-bopper. Não é um jazzman, mas é um artista competente, verdadeiro, que traz para sua música o toque sutil e suingado do jazz, mas com arranjos simples que agradam o grande público. Assim faz Kenny G (que já tocou em gigs de jazz), Richard Clayderman (bom pianista erudito), Ray Conniff (que transformava qualquer música em hit de baile, é só ouvir as célebres gravações de Besame Mucho e o Concerto n5 de Tchaikovsky, que passaram do kitsch ao cult). Questionar este tipo de artista só vale se estivermos prontos a questionar nossos próprios ouvidos, que sempre desejaram e continuarão desejando boas melodias - que são necessárias na festa de "bodas", na festa de casamento, e em várias outras situações. Música é um produto que se usa igual remédio: em doses certas, nas horas certas.
Escutem e tirem suas conclusões:
"Digam se o solinho que começa aos 2 minutos é coisa de "comercialismo"...
Pergunto para o Regis Tadeu: porque Benson vendeu a alma? A alma dele não pode ser essa aí que estamos ouvindo, do cara que produz sucessos comerciais misturando boa técnica musical com melodias que "pegam" no ouvido? Benson faz o que faz com maestria, não apenas por "se preocupar em agradar um mercado que poderia lhe render uma grana muito maior". Esse é seu verdadeiro talento. Ao contrário do que afirma Tadeu, Benson é, sim, livre para fazer a música que ama, e é essa a que ele sempre fez.
Já há muitos anos que Benson é considerado um artista comercial no meio musical americano. Só os brasileiros aqui é que não sabiam direito o que era jazz e achavam que Benson era um be-bopper. Não é um jazzman, mas é um artista competente, verdadeiro, que traz para sua música o toque sutil e suingado do jazz, mas com arranjos simples que agradam o grande público. Assim faz Kenny G (que já tocou em gigs de jazz), Richard Clayderman (bom pianista erudito), Ray Conniff (que transformava qualquer música em hit de baile, é só ouvir as célebres gravações de Besame Mucho e o Concerto n5 de Tchaikovsky, que passaram do kitsch ao cult). Questionar este tipo de artista só vale se estivermos prontos a questionar nossos próprios ouvidos, que sempre desejaram e continuarão desejando boas melodias - que são necessárias na festa de "bodas", na festa de casamento, e em várias outras situações. Música é um produto que se usa igual remédio: em doses certas, nas horas certas.
O colunista ainda diz que Benson "contagiou" o produtor do disco, Marcus Miller, com seu suposto mau-gosto. Isso demonstra que o colunista não conhece muito bem o perfil do produtor, que é baixista e multiinstrumentista. Ele é um grande músico de jazz, mas sempre teve um pé no pop, rock, funk e eletrônica. Seu trabalho com Miles Davis teve pouco a ver com jazz mainstream, assim como o disco que produziu do mestre post-bop Wayne Shorter ("High Life", ganhador de um Grammy), onde todas as faixas têm loops programados - e ainda assim é um disco de tirar o fôlego devido à concepção arrojada e dinâmica. Miller não foi contagiado não, mas sim o contrário - com certeza foi ele quem deu uma direção mais pop ao disco de Benson, pois tem um entendimento espetacular de grooves e programações eletrônicas.
Se eu concordo com algo que Regis escreveu é que o jazz não ganha nada com este disco de Benson. Mas condená-lo por isso é um erro, pois o que o guitarrista faz não é jazz, mas boa música pop. E deve ser aplaudido por isso. Basta ouvir. Garanto que você vai sair assobiando as melodias.
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