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19 março 2012
ETC & Jazz - Programa 56
Nessa edição do ETC & Jazz, levamos ao ar June Christy, Alex Buck e grupo, David Binney, Andrea Pozza Trio, Duke Ellington, Pete La Roca, Avishai Cohen e Joe Lovano. Baixe aqui.
31 julho 2011
ETC & Jazz - Programa 42
A edição 42 do ETC & Jazz selecionou músicas de Cláudio Roditi (standards virando samba), Louis Armstrong e seu Hot Seven, a dobradinha Max Roach & Clifford Brown em performance ao vivo, trio de Steve Khun com a presença do sax poderoso de Joe Lovano, a voz macia de Madeleine Peyroux, o piano solo de Mike Orta e o afrobeat jazzístico dos finlandeses do Rhythm Funk Masters. Baixe aqui.
02 junho 2011
Não há notas erradas
Jam sessions são sempre momentos onde tudo está por um fio. A alegria do encontro de músicos diferentes, a vibração de fazer um som imprevisível e, ao mesmo tempo, coletivo. Tocar com o coração, mas sob controle da mente. Mas há sempre a possibilidade da ansiedade fazer nublar o tempo e tornar as coisas um pouco mais complicadas...
Nessa noite no Blue Note, o pianista McCoy Tyner fazia uma intro para seu tema "Blues on the corner", composição que já se tornou standard, e o monstruoso Joe Lovano se atrapalhou e entrou antes... ele fica sempre algumas notas à frente da banda, e no final do tema todo mundo dá um jeito de emendar o soneto e tudo acaba bem. Pode ser que nem todos da platéia tenham percebido, tamanha é a sinceridade e o drive de Lovano. É como dizem, "no jazz não tem nota errada, só nota mal colocada". Taí a prova.
Nessa noite no Blue Note, o pianista McCoy Tyner fazia uma intro para seu tema "Blues on the corner", composição que já se tornou standard, e o monstruoso Joe Lovano se atrapalhou e entrou antes... ele fica sempre algumas notas à frente da banda, e no final do tema todo mundo dá um jeito de emendar o soneto e tudo acaba bem. Pode ser que nem todos da platéia tenham percebido, tamanha é a sinceridade e o drive de Lovano. É como dizem, "no jazz não tem nota errada, só nota mal colocada". Taí a prova.
14 fevereiro 2010
Pianista chumbo-grosso
Alfred McCoy Tyner, 71, é um dos pianistas mais geniais do jazz. Seu estilo de tocar é expressivo e adiciona um colorido especial a qualquer música. Um simples blues se transforma rapidamente num tema hard-bop devido a sua capacidade de explorar a rítmica e aplicar harmonia modal a qualquer peça usando acordes quartais - característica que influenciou profundamente os pianistas modernos como Chick Corea e Herbie Hancock.
Além disso, o som amplo e forte de seu piano foi fundamental no quarteto de John Coltrane, do qual participou de 1960 a 1965. Seu som poderoso, com dinâmicas fortes, abusando de trêmolos pesados nos acordes de mão-esquerda, criavam climas e ambientações perfeitas para as notas rascantes do sax de Coltrane.
E quando solava, McCoy seguia a contramão de todos os improvisadores - primeiro parecia recortar os temas agressivos do grupo com frases rápidas de mão direita, cheias de notas em staccatto baseadas na escala pentatônica - geralmente sobrepostas à tonalidade original, com fraseados extremamente modernos e ousados. O clímax de seus improvisos chegava quando ele diminuía a velocidade das frases, mas aumentava a dinâmica dos acordes, com ataques violentos das mãos ao teclado, explorando toda a extensão de graves e agudos com rítmicas complexas.
O professor de piano norte-americano Roger Friedmann mostra neste vídeo aqui como desenvolver o "estilo" McCoy no piano.
Tomei contato com Tyner ouvindo um disco dele lançado em 1991 chamado "Remembering John", onde ele lembrava dos temas de Coltrane tocando apenas em trio com o baixista Avery Sharpe e o baterista Aaron Scott. Conservando seu estilo exuberante e técnica impecável, McCoy soa nessa gravação como uma orquestra completa, com acordes elegantes nas baladas ("Good Morning Heartache" e "Like someone in Love") e extrema "selvageria" nas composições mais arrojadas ("India", "Pursuance" e "Giant Steps").
E disponibilizo aqui para download uma gravação mais recente de McCoy, com um quarteto de estrelas atuais do estilo. O grupo recria algumas das principais composições de Tyner, como "Passion Dance" e "Blues on the corner", em uma gravação ao vivo cheia de solos brilhantes e extrema energia (links do excelente blog Pintando Música).
McCoy Tyner Quartet - parte 1
McCoy Tyner Quartet - parte 2
Joe Lovano - sax tenor
Christian McBride - baixo
Jeff Watts - bateria
Além disso, o som amplo e forte de seu piano foi fundamental no quarteto de John Coltrane, do qual participou de 1960 a 1965. Seu som poderoso, com dinâmicas fortes, abusando de trêmolos pesados nos acordes de mão-esquerda, criavam climas e ambientações perfeitas para as notas rascantes do sax de Coltrane.
E quando solava, McCoy seguia a contramão de todos os improvisadores - primeiro parecia recortar os temas agressivos do grupo com frases rápidas de mão direita, cheias de notas em staccatto baseadas na escala pentatônica - geralmente sobrepostas à tonalidade original, com fraseados extremamente modernos e ousados. O clímax de seus improvisos chegava quando ele diminuía a velocidade das frases, mas aumentava a dinâmica dos acordes, com ataques violentos das mãos ao teclado, explorando toda a extensão de graves e agudos com rítmicas complexas.
O professor de piano norte-americano Roger Friedmann mostra neste vídeo aqui como desenvolver o "estilo" McCoy no piano.
Tomei contato com Tyner ouvindo um disco dele lançado em 1991 chamado "Remembering John", onde ele lembrava dos temas de Coltrane tocando apenas em trio com o baixista Avery Sharpe e o baterista Aaron Scott. Conservando seu estilo exuberante e técnica impecável, McCoy soa nessa gravação como uma orquestra completa, com acordes elegantes nas baladas ("Good Morning Heartache" e "Like someone in Love") e extrema "selvageria" nas composições mais arrojadas ("India", "Pursuance" e "Giant Steps").
E disponibilizo aqui para download uma gravação mais recente de McCoy, com um quarteto de estrelas atuais do estilo. O grupo recria algumas das principais composições de Tyner, como "Passion Dance" e "Blues on the corner", em uma gravação ao vivo cheia de solos brilhantes e extrema energia (links do excelente blog Pintando Música).
McCoy Tyner Quartet - parte 1
McCoy Tyner Quartet - parte 2
Joe Lovano - sax tenor
Christian McBride - baixo
Jeff Watts - bateria
25 março 2009
Os sons que eles escolheram

No jazz, a escuta é essencial. Escutar é a base do criar, abrangendo as três pontas do triângulo da fruição estética: o ouvinte/espectador, que recria os sons levado pela sensibilidade dos intérpretes; por sua vez, os intérpretes recriam as sonoridades dos compositores das canções que estão tocando; por fim, os compositores elaboram suas obras com base em referências sonoras anteriores. Escutando, compondo e criando ao mesmo tempo. Público, músico e criador interagem a cada momento. Não foi à toa que o compositor e pesquisador francês Pierre Schaeffer dizia que a música começa nos ouvidos de quem escuta.
Ao ler a Downbeat de março, tive a certeza de que todos os criadores do jazz pararam, em algum momento de suas vidas, para exercitar a escuta. A matéria de capa traz vários artistas do gênero falando sobre seus álbuns favoritos pertencentes ao catálago do legendário selo Blue Note. Legal pra conhecer os gostos e influências dos caras - o que ouviram, como traduziram o que ouviram, e como aplicaram o que compreenderam em suas obras.
A foto de capa traz o saxofonista Joe Lovano segurando o vinil "Free For All", do baterista Art Blakey e seus "mensageiros do jazz". Eu não conhecia o disco. Corri atrás (santo Google) e vi que já tinha ouvido pelo menos a faixa-título, que é uma correria só, hard-bop da pesada, tem que ouvir. E dá até pra entender de onde Joe Lovano tirou a expansividade de seu som...
Além de Blakey, citado como favorito também pelo trumpetista Randy Brecker, três artistas parecem ter dominado as preferências gerais: discos de Wayne Shorter (citados pelos saxofonistas Branford Marsalis, Greg Osby e Chris Potter, pelo trumpetista Nicholas Payton e pelo vocalista Kurt Elling), Herbie Hancock (referidos pelos trumpetistas Sean Jones e Terence Blanchard e pelos pianistas Geri Allen, Kenny Werner e Uri Caine) e Horace Silver (comentados pelo pianista Bill Charlap, trumpetista Dave Douglas e cantora Dee Dee Bridgewater).
Não é de se espantar que tantos bons músicos tenham bebido das mesmas fontes, sensíveis às novas formas de compor e improvisar apresentadas pelas inesquecíveis bolachas da Blue Note, gravadora em sua plena forma nos férteis anos 60 - pré-fusion, pós-bebop, quasi-free. Esses discos são o puro reflexo de uma época revolucionária, em que os artistas procuravam novos caminhos, novas fusões, novas cores - e Herbie, Shorter e Silver eram realmente promissores nessa alquimia de misturas sonoras.
Hoje, não é tão importante ter as gravações - seja em vinil, CD, ou DVD - para se ouvir músicas diferentes. A internet se tornou um grande "distribuidor" de informação musical, disponível para quem quiser, muitas vezes de graça. Fuçando bem, se acha desde raridades do choro brasileiro da década de 20, passando pelas canções de rituais religiosos africanos, até a música eletroacústica avant-garde composta antes-de-ontem por algum novo Stockhausen digital.
Não é mais necessário mais buscar a música - esta é que nos acessa, nos assedia, "coloca nossos ouvidos para trabalhar a seu favor" (na teoria de Giuliano Obici) em iPods, podcasts, rádios digitais, sons prêt-a-porter compactados na nova panacéia digital chamada mp3. Portanto, mudam as tecnologias, mas a questão permanece a mesma: como permanecer sensível às músicas que nos rodeiam, tendo uma enorme quantidade de sons disponíveis?
O que esses artistas da Downbeat nos ensinam, ao comentar seus bolachões, não é a ter amor pelos discos - ou pela coleção de mp3 baixados da internet, ou pelo novo iPod com milhares de gigabytes de capacidade - e sim a ter cuidado com o que se escuta. Em uma época onde milhares de vinis da então vigorosíssima indústria musical invadiam as prateleiras com "o mais novo sucesso das paradas" - traduzindo, centenas de cópias mal-acabadas de grupos musicais de sucesso -, eles souberam escolher "poucas e boas" gravações, de onde extraíram a matéria-prima para criar seus universos musicais, seus próprios discos, seus próprios oásis de sons frescos em um deserto de mau-gosto e enfadonhas repetições barulhentas das FMs comerciais.
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