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20 novembro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 11

O encontro com novas pessoas e seus jeitos diferentes foi uma das melhores experiências de toda a viagem. No cotidiano do Festival Mørket, ou nos momentos em que a banda voltava para a "sede" em Holstebro, sempre dava-se um jeito de trocar figurinhas com novos amigos.



No dia-a-dia, o encontro com outros artistas gerava algumas cenas hilárias. Aqui, o ator e músico Jan Ferslev, do mundialmente aclamado Odin Teatret, "a caráter", batia um papo com nosso saxofonista e produtor Hans Købberø.



O trombonista Henrique Hayashi não quis trocar sua cachaça brasileira pela pinga dinamarquesa (famosa "snapps", feita de batata, aaaarrgh...) oferecida pela atriz letoniana Zanda Priedite.



Sempre a postos para as intervenções, a atriz Kirstin Elisabeth Jensen deu uma folga para seu personagem - o "corvo" - e abriu um sorriso maroto.



A atriz e contadora de histórias Ingrid Hvaas deu uma palhinha logo no primeiro dia, cantando uma música que parecia ser engraçada, mas que ninguém entendeu...



O ator húngaro Imre Pétkov, do grupo de teatro Zamok, logo incorporou sua personagem "vaca" e azucrinou a banda com seus cowbells já no primeiro encontro, num samba dentro do ônibus vermelho.



O produtor e saxofonista Hans Købberø ensinou a receita do Fransk Hot Dog, cachorro-quente à moda dinamarquesa, que leva mostarda (bem forte), remoulade (um tipo de maionese meio adocicada, lê-se "remulêiloe").



Numa das escolas onde por onde o Soul Brasil, a roda de violão foi comandada por André Gião.



No piano, André Gião também encantou seus amiguinhos, Mãozinha (direto da Família Adams) e Cabecinha (primo distante de Rodrigo Serra, o Cabeção do Recife).



Em um churrasco após o fim do festival, nossos novos amigos Mathias, Stine e Louise se arrebentaram de beber, comer e também de rir com os videoclipes psicodélicos e toscos de Marli, apresentada a eles como "a vanguarda lixo da música brasileira contemporânea".



E qual não foi nossa surpresa ao embarcarmos num ferry-boat para Copanhague e encontrarmos por acaso a artista plástica Sophie Hjerl (primeira à esquerda), que se tornou também uma amiga durante o festival Mørket?

18 novembro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 9



Animais na estrada. Brasileiros indo para o "centro" da cidade, pela estradinha cercada dos tons dourados do outono "invernal" da Dinamarca. Viadinhos à vista.



Observava-nos um dos seres mais estranhos que já vi: um boi da raça escocesa, peludo igual a um cocker spaniel, chifrudo igual a um zebu.



Na fazenda de Magnus e Tøve, os desbravadores Henrique Hayashi, Alexandre Malaguti e Thales Lemos se aventuraram no lago. Pra fotografar, só com o auxílio de uma luneta.



Para retribuir o tratamento impecável e atenção carinhosa que recebemos dos anfitriões, fizemos um show "acústico" para os donos da fazenda e seus amigos dinamarqueses, com vista para o lago e luz de velas.



De noite, um momento introspectivo: apresentação de coral na igrejinha de Kølkkaer, apresentando melodias religiosas em uma espécie de missa-show, acompanhados por um órgão de tubos. Emocionante.

25 outubro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 5



Em Idom-Råsted, cidade de 700 habitantes, há mais fazendas do que casas. A nossa cantora Gisele Silva foi conferir logo cedo a paisagem.



Ficamos hospedados na fazenda do casal Børge e Helle (pronuncia-se "boeo" e "éle", com biquinho). Eles participaram de um workshop de percussão com Alexandre Malagutti, Duda, Thales Lemos e Henrique Hayashi.



O casal transformou um antigo estábulo em uma grande sala de estar, que usamos para tomar cervejinhas (Dansk, a mais baratinha, mas que já é bem mais interessante que a maiorias das cervejas brasileiras)...



... e ouvir uns LPs antigos. Na Dinamarca todo mundo só escuta música americana, e achamos alguns discos bem típicos da década de 70, como este do Boney M - lembrei do meu amigo Sardinha, que é fã de tudo o que foi feito nessa época. Olha o naipe dessa capa!



A discotecagem ficou a cargo de nosso novo amigo Michael Dryhborg, que é o assessor de imprensa do festival Mørket e já trabalhou em rádios. Aqui ele segura um disco que só contém pérolas do cancioneiro dinamarquês.



No café-da-manhã comunitário, a atriz e contadora de histórias Ingrid Hvaas sempre canta uma canção, acompanhada pela percussão do Soul Brasil. Nesse dia, Duda e eu puxamos um baião.



Em seguida, partimos de ônibus para um passeio com os moradores pela região, tocando jazz em ritmo de samba, frevo, baião e etc... Jazz puro.



No jantar, uma iguaria inédita: carne de veado ao vinho. Batatinhas assadas pra acompanhar, e um bom vinho australiano. Show de bola!

23 setembro 2009

Banda leva cultura brasileira a Dinamarca



No próximo dia 28, exatamente às 18h35, pego o voo da SwissAir em Guarulhos, com destino à Dinamarca, juntamente com outros 9 músicos da banda londrinense Soul Brasil. A banda tem a missão de levar a música brasileira para um festival de cultura que percorrerá 6 cidades em 30 dias: o Kulturfestival Mørket , que tem o objetivo de transferir conhecimento e realizar trocas culturais com comunidades que têm pouco acesso a cultura naquele país.

Esse pôster aí em cima faz parte do material promocional do festival, que é todo sediado em um trem. O trem levará os artistas e palcos para as cidades, e o Soul Brasil será uma das atrações, com sua proposta de adicionar a grandes clássicos da música brasileira (Tom Jobim, Chico Buarque, Cartola, Noel Rosa) uma pitada de suíngue contemporâneo, na linha de compositores como Paula Lima, Seu Jorge, Funk como le Gusta.


A banda surgiu após uma conversa entre o guitarrista e produtor musical André Gião com o saxofonista e produtor dinamarquês Hans Købberø, que morava em Londrina em 2004 e era cenógrafo e iluminador do grupo de teatro Odin (do renomado Eugênio Barba), que se apresentava na cidade dentro do Festival Internacional de Teatro, em maio. Ele queria levar música brasileira pra Dinamarca.

Ele então conseguiu patrocinadores e ajuda do governo brasileiro para adquirir as 13 passagens (11 músicos + técnico + produtor) e, em agosto de 2004, a banda embarcava para fazer 22 shows em 30 dias - um deles em Copenhague, para o próprio embaixador do Brasil na Dinamarca, que adorou o som. Foi um mês interessantíssimo na minha vida, e uma experiência única para todos os músicos, pois tocamos em escolas, bares, praças, sempre atraindo muito público. Com certeza esse ano a banda vai arrebentar também.

A formação traz Gisele Silva (voz), Andre Giao (guitarra, violão, cavaquinho), eu (teclado), Filipe Barthem (baixo), Hans (Sax), Henrique Hayashi (trombone), Malaguti (percussão), Duda de Souza (percussão) e Thales Lemos (bateria).