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18 novembro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 9



Animais na estrada. Brasileiros indo para o "centro" da cidade, pela estradinha cercada dos tons dourados do outono "invernal" da Dinamarca. Viadinhos à vista.



Observava-nos um dos seres mais estranhos que já vi: um boi da raça escocesa, peludo igual a um cocker spaniel, chifrudo igual a um zebu.



Na fazenda de Magnus e Tøve, os desbravadores Henrique Hayashi, Alexandre Malaguti e Thales Lemos se aventuraram no lago. Pra fotografar, só com o auxílio de uma luneta.



Para retribuir o tratamento impecável e atenção carinhosa que recebemos dos anfitriões, fizemos um show "acústico" para os donos da fazenda e seus amigos dinamarqueses, com vista para o lago e luz de velas.



De noite, um momento introspectivo: apresentação de coral na igrejinha de Kølkkaer, apresentando melodias religiosas em uma espécie de missa-show, acompanhados por um órgão de tubos. Emocionante.

26 outubro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 6

O povo dinamarquês não é dos mais calorosos. Mas só porque não dão beijinho no rosto não quer dizer que não sejam amáveis e atenciosos. Notamos que, por todas as cidades pelas quais passamos com o festival Mørket, as pessoas mostram seu carinho não por abraços e beijos, mas pela forma com que se esforçam para acertar os mínimos detalhes de cada evento. Não há uma mesa sequer que não seja decorada com flores e frutas; não há um café-da-manhã em que não haja pão quentinho e fresco; não há jantar sem fartura de comidas e bebidas.

Além disso, os anfitriões que recebem os artistas são extremamente educados e discretos, deixando-nos à vontade para fazer o que quisermos em suas próprias casas. Só na Dinamarca dá pra imaginar uma festa em que os hóspedes fazem a bagunça com os anfitriões dormindo, onde os hóspedes abrem a geladeira e tiram o que quiserem, onde abrem o balcão de bebidas e bebem o que desejarem. Essa é a maneira dinamarquesa de receber: faça o que quiser, pois o que é meu é seu também. "Mi casa, su casa", literalmente. Porque sempre levam em consideração a responsabilidade do outro, respeitam a individualidade, e contam com a integridade de quem está ao lado deles.



Na fazenda de Børge e Helle, nossa sede em Idom-Råsted, dormimos espalhados pelos cômodos da casa, mas era tão confortável que parecia estávamos em nosso próprio lar.



Fomos tão bem recebidos que decidimos retribuir. Fizemos um feijão amigo com arroz e bacon, pra mostrar pra eles um pouco do sabor da comida brasileira.



De sobremesa, um chocolatinho dinamarquês que derrete na boca, com vinho e coca-cola.



Na noite do show, o estábulo virou restaurante e night club pra mais de 60 pessoas.



Na mesma noite partimos para Brande, onde tínhamos um show às 11h da manhã do dia seguinte. Ainda na madrugada, experimentei o som do piano Yamaha que estava lá à disposição. O batera Thales Lemos registrou.

25 outubro 2009

Soul Brasil na Dinamarca 5



Em Idom-Råsted, cidade de 700 habitantes, há mais fazendas do que casas. A nossa cantora Gisele Silva foi conferir logo cedo a paisagem.



Ficamos hospedados na fazenda do casal Børge e Helle (pronuncia-se "boeo" e "éle", com biquinho). Eles participaram de um workshop de percussão com Alexandre Malagutti, Duda, Thales Lemos e Henrique Hayashi.



O casal transformou um antigo estábulo em uma grande sala de estar, que usamos para tomar cervejinhas (Dansk, a mais baratinha, mas que já é bem mais interessante que a maiorias das cervejas brasileiras)...



... e ouvir uns LPs antigos. Na Dinamarca todo mundo só escuta música americana, e achamos alguns discos bem típicos da década de 70, como este do Boney M - lembrei do meu amigo Sardinha, que é fã de tudo o que foi feito nessa época. Olha o naipe dessa capa!



A discotecagem ficou a cargo de nosso novo amigo Michael Dryhborg, que é o assessor de imprensa do festival Mørket e já trabalhou em rádios. Aqui ele segura um disco que só contém pérolas do cancioneiro dinamarquês.



No café-da-manhã comunitário, a atriz e contadora de histórias Ingrid Hvaas sempre canta uma canção, acompanhada pela percussão do Soul Brasil. Nesse dia, Duda e eu puxamos um baião.



Em seguida, partimos de ônibus para um passeio com os moradores pela região, tocando jazz em ritmo de samba, frevo, baião e etc... Jazz puro.



No jantar, uma iguaria inédita: carne de veado ao vinho. Batatinhas assadas pra acompanhar, e um bom vinho australiano. Show de bola!

23 setembro 2009

Banda leva cultura brasileira a Dinamarca



No próximo dia 28, exatamente às 18h35, pego o voo da SwissAir em Guarulhos, com destino à Dinamarca, juntamente com outros 9 músicos da banda londrinense Soul Brasil. A banda tem a missão de levar a música brasileira para um festival de cultura que percorrerá 6 cidades em 30 dias: o Kulturfestival Mørket , que tem o objetivo de transferir conhecimento e realizar trocas culturais com comunidades que têm pouco acesso a cultura naquele país.

Esse pôster aí em cima faz parte do material promocional do festival, que é todo sediado em um trem. O trem levará os artistas e palcos para as cidades, e o Soul Brasil será uma das atrações, com sua proposta de adicionar a grandes clássicos da música brasileira (Tom Jobim, Chico Buarque, Cartola, Noel Rosa) uma pitada de suíngue contemporâneo, na linha de compositores como Paula Lima, Seu Jorge, Funk como le Gusta.


A banda surgiu após uma conversa entre o guitarrista e produtor musical André Gião com o saxofonista e produtor dinamarquês Hans Købberø, que morava em Londrina em 2004 e era cenógrafo e iluminador do grupo de teatro Odin (do renomado Eugênio Barba), que se apresentava na cidade dentro do Festival Internacional de Teatro, em maio. Ele queria levar música brasileira pra Dinamarca.

Ele então conseguiu patrocinadores e ajuda do governo brasileiro para adquirir as 13 passagens (11 músicos + técnico + produtor) e, em agosto de 2004, a banda embarcava para fazer 22 shows em 30 dias - um deles em Copenhague, para o próprio embaixador do Brasil na Dinamarca, que adorou o som. Foi um mês interessantíssimo na minha vida, e uma experiência única para todos os músicos, pois tocamos em escolas, bares, praças, sempre atraindo muito público. Com certeza esse ano a banda vai arrebentar também.

A formação traz Gisele Silva (voz), Andre Giao (guitarra, violão, cavaquinho), eu (teclado), Filipe Barthem (baixo), Hans (Sax), Henrique Hayashi (trombone), Malaguti (percussão), Duda de Souza (percussão) e Thales Lemos (bateria).