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14 março 2011
ETC & jazz - Programa 24
Nesta edição do ETC & jazz, transmitida em 8/3, tocamos um choro do pianista Cristóvão Bastos, a homenagem a Carlos Santana feita por John Scofield e Metropole Orkesta, a improvisação coletiva de Danilo Perez, Jack DeJohnette e Jonh Patitucci, o clássico "Speak no Evil" com Wayne Shorter, o pianista cubano Roberto Fonseca, o grupo Out of The Blue e uma balada com Roy Hargrove. Baixe aqui.
20 julho 2010
"Reunion", marco da "miami salsa"
O latin jazz com sabor de praia, ensolarado, levemente adocicado e ácido como uma piña colada: esse é o estilo "miami salsa", cujos maiores ícones são o clarinetista e saxofonista Paquito D'Rivera e o trumpetista Arturo Sandoval. Em comum eles têm o fato de serem cubanos, virtuoses em seus instrumentos e terem sido descobertos e apoiados por uma das maiores lendas do jazz, o trumpetista Dizzy Gillespie.
"Reunion" foi gravado em 1990, na Alemanha, e marcava o primeiro encontro dos dois músicos em estúdio, momento em que os dois gênios deixavam claras suas profundas influências jazzísticas e o estilo leve e funky de suas interpretações.
Há uma espécie de brilho no latin jazz que esses dois amigos produzem. Parece que a condução de baixo elétrico, bateria (do excelente Mark Walker, americano que aprendeu tudo o que podia sobre música latina e brasileira) e guitarra deixa o clima um pouco mais picante e alegre, permitindo que o fraseado impecavelmente preciso e vibrante do trumpete e do clarinete soe quase sorridente. O piano malandro de Danilo Perez (pianista panamenho que também foi um dos protegidos de Dizzy Gillespie) deixa o som ainda mais moderno. As congas do virtuoso Giovanni Hidalgo são a âncora que segura o time todo no território latino.
O repertório escolhido é a perfeita definição do estilo de tocar dos dois cubanos - virtuoso, exuberantemente rítmico, romântico e moderno. Após uma breve introdução, em que o tema "Mambo influenciado" é apenas rapidamente exposto, o grupo entra em groove latino para destrinchar "Tanga", do mestre Dizzy. Além dessa música, a todo momento os dois fazem referências ao velho jazzman citando em pequenas frases algumas de suas mais famosas melodias.
O bolero "Cláudia" é a peça mais sentimental do disco, seguida pela contemporânea "Friday Morning". É a vez então de Paquito solar sobre a "Latin American Suite", apresentada em três curtos e variados movimentos. "Body and Soul" é o standard do disco, sendo executado com introspecção pelo trumpete e pelo piano. O disco termina com uma espécie de carnaval latino, "Caprichosos de la Habana", onde todos cantam e tocam ao estilo "raízes de Cuba".
Arturo Sandoval & Paquito D'Rivera - Reunion (1991)
Paquito D'Rivera: sax alto, clarinete; Arturo Sandoval: trumpete, flugelhorn, percussão, vocais, assobio, whistle; Danilo Perez: piano;
Fareed Haque: guitarra, violão, vocais; David Finck: baixo, vocais; Mark Walker: bateria, percussão, vocais; Giovanni Hidalgo: percussão, bongos, vocais; Uwe Feltens: vocais; Götz A. Worner: vocais;
01.Prologo: Mambo Influenciado (Chucho Valdés)/00:25 - 02.Reunion (Paquito D'Rivera)/04:59 - 03.- Tanga (Dizzy Gillespie)/09:19 - 04.Claudia (Chucho Valdés)/07:12 - 05. Friday Morning (Danilo Perez)/06:33 - 06- Latin American Suite - Venezuelan Waltz No. 1 (Antonio Lauro)/00:50 - Introduction (Fareed Haque)/01:34 - Part III Chorizinho (Fareed Haque)/03:00 - 07. Body & Soul (Green, Hayman)/03:51 - 08. Caprichosos De La Habana (Arturo Sandoval)/04:14 - 09. Epilogo: Mambo Influenciado (Chucho Valdés)/00:21
"Reunion" foi gravado em 1990, na Alemanha, e marcava o primeiro encontro dos dois músicos em estúdio, momento em que os dois gênios deixavam claras suas profundas influências jazzísticas e o estilo leve e funky de suas interpretações.
Há uma espécie de brilho no latin jazz que esses dois amigos produzem. Parece que a condução de baixo elétrico, bateria (do excelente Mark Walker, americano que aprendeu tudo o que podia sobre música latina e brasileira) e guitarra deixa o clima um pouco mais picante e alegre, permitindo que o fraseado impecavelmente preciso e vibrante do trumpete e do clarinete soe quase sorridente. O piano malandro de Danilo Perez (pianista panamenho que também foi um dos protegidos de Dizzy Gillespie) deixa o som ainda mais moderno. As congas do virtuoso Giovanni Hidalgo são a âncora que segura o time todo no território latino.
O repertório escolhido é a perfeita definição do estilo de tocar dos dois cubanos - virtuoso, exuberantemente rítmico, romântico e moderno. Após uma breve introdução, em que o tema "Mambo influenciado" é apenas rapidamente exposto, o grupo entra em groove latino para destrinchar "Tanga", do mestre Dizzy. Além dessa música, a todo momento os dois fazem referências ao velho jazzman citando em pequenas frases algumas de suas mais famosas melodias.
O bolero "Cláudia" é a peça mais sentimental do disco, seguida pela contemporânea "Friday Morning". É a vez então de Paquito solar sobre a "Latin American Suite", apresentada em três curtos e variados movimentos. "Body and Soul" é o standard do disco, sendo executado com introspecção pelo trumpete e pelo piano. O disco termina com uma espécie de carnaval latino, "Caprichosos de la Habana", onde todos cantam e tocam ao estilo "raízes de Cuba".
Arturo Sandoval & Paquito D'Rivera - Reunion (1991)
Paquito D'Rivera: sax alto, clarinete; Arturo Sandoval: trumpete, flugelhorn, percussão, vocais, assobio, whistle; Danilo Perez: piano;
Fareed Haque: guitarra, violão, vocais; David Finck: baixo, vocais; Mark Walker: bateria, percussão, vocais; Giovanni Hidalgo: percussão, bongos, vocais; Uwe Feltens: vocais; Götz A. Worner: vocais;
01.Prologo: Mambo Influenciado (Chucho Valdés)/00:25 - 02.Reunion (Paquito D'Rivera)/04:59 - 03.- Tanga (Dizzy Gillespie)/09:19 - 04.Claudia (Chucho Valdés)/07:12 - 05. Friday Morning (Danilo Perez)/06:33 - 06- Latin American Suite - Venezuelan Waltz No. 1 (Antonio Lauro)/00:50 - Introduction (Fareed Haque)/01:34 - Part III Chorizinho (Fareed Haque)/03:00 - 07. Body & Soul (Green, Hayman)/03:51 - 08. Caprichosos De La Habana (Arturo Sandoval)/04:14 - 09. Epilogo: Mambo Influenciado (Chucho Valdés)/00:21
02 fevereiro 2010
Monkeando a música
Thelonious Monk é um dos pianistas mais arrojados de todas as épocas do jazz. Seu estilo despojado, exótico, sujo, direto e aparentemente caótico de tocar conferiu ao bebop uma identidade harmônica ousada e colorida. Suas notas pareciam fortalecer as melodias intrincadas com notas de sustentação muito calcadas nas alterações da escala (b2, b3, b5, b6, b7). Seus acordes sempre soam secos, cortantes, angulosos - mas encaixam perfeitamente nos escassos vãos entre as centenas de notas dos temas do bebop.
Monk levou adiante seu estilo em suas composições, em que experimentou diferentes abordagens do espectro harmônico ao criar melodias com grandes saltos ou pequenos cromatismos. Nesse contexto, sua "arma secreta" era o uso da escala de tons inteiros - usada por Debussy e outros impressionistas no âmbito da composição erudita - nos acordes dominantes de suas criações, gerando improvisos bem-humorados e irreverentes devido à sonoridade peculiar dessa escala.
Seus temas são poucos - cerca de 70 - e quase sempre fazem referência ao blues, seja na forma estrita de 12 compassos e 3 acordes - que ele modificou, usando estruturas como I7 - IIb7 - I7 - V, ou I7 - VIb7 - II7 - V7 ao invés do clássivo I7 - IV7 - I7 - V7 - seja na expressão direta e límpida do conteúdo. Poucas notas, mas organizadas de forma a criar pequenos universos expressivos únicos e inesquecíveis. Pequenas jóias jazzísticas, que falam sobre o Bronx, o Queens, o metrô, os clubes da rua 52, as noites mal-iluminadas, os passeios sobre as calçadas úmidas e becos sombrios de Nova Iorque.
Foi em um disco do pianista panamenho Danilo Perez que pude entender a irreverência da música de Monk. Em Panamonk (1996), Perez usou abordagens semelhantes às do mestre nova-iorquino e recriou algumas das pérolas do repertório monkiano em um novo contexto rítmico, usando ritmos caribenhos para improvisar sobre as canções. Ou seja, emprestou de Monk seus tempos e fraseados exóticos para elevar a um novo nível de complexidade seus próprios temas. Além disso, Perez também compôs canções seguindo o estilo "desengonçado" de Thelonious, deixando o disco simplesmente delicioso de ouvir.
Panamonk (1996)
Danilo Perez - Piano; Terri Lyne Carrington, Jeff Watts - Batería; Avishai Cohen - baixo; Olga Román - Voz (01) Monk's mood 1 (02) Panamonk (03) Bright Mississippi (04) Think of One (05) Mercedes' mood (06) Hot Bean Strut (07) Reflections (08) September in Rio (09) Everything happens to me (10) 'Round Midnight (11) Evidence and Four in One (12) Monk's mood 2
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