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12 abril 2012

30 de abril, Dia Internacional do Jazz















A lenda pianística Herbie Hancock completa hoje - 12 de abril - 72 anos e mostra que não é só na música que ele continua na vanguarda do jazz. Atuando como embaixador da boa vontade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), ele anunciou no mês passado a criação do Dia Internacional do Jazz, a ser celebrado pela primeira vez em 30 de abril com grandes shows em Paris, New Orleans e diversos países.

A música de Herbie sempre se pautou pela transcendência de fronteiras. Sua passagem pelo famoso quinteto de Miles Davis deixou marcas profundas em sua personalidade musical, que transforma e molda os sons à sua própria maneira irreverente, sem limites entre música popular, erudita, étnica, jazz, rock ou eletrônica. Para ele, o jazz depende apenas de uma "percepção criativa" da música - qualquer música.

Aos 72 anos, Herbie não precisa de promoção, e usa com inteligência sua credibilidade para dar ao mundo uma data oficial para lembrar a importância do jazz como uma música de caráter universal. Apesar de não ser unanimidade entre os jazzistas mais ferrenhos - muitos o acusam de demagogo ou superficial -, uma visão assim não poderia ser mais apropriada para alguém que tem o cargo de embaixador - um ponto de vista amplo, democrático, algo oportunista, mas sempre em sintonia com as tradições mais profundas que o definem como um jazzista - e não de um político.



13 janeiro 2012

ETC & Jazz - programa 52



Nessa edição tivemos a honra de transmtir os sons de Patricia Barber, Louis Armstrong, Vitor Assis Brasil, John Scofield, Branford Marsalis, Sadao Watanabe e a dupla Wayne Shorter & Herbie Hancock. Podem baixar o programa aqui se preferirem.

10 novembro 2011

ETC & Jazz - programa 45



Neste programa tocamos um pequeno capítulo da história do "fusion" brasileiro, a canção "Gamboa", do único disco gravado pelo grupo Brazilian Octopuss em milnovecentosebolinhas... Também tocamos o fusion mais comercial do pianista Bob James, o som universal do Trio Curupira, o som emblemático (e hipervirtuose) da nova geração do jazz com o trio do pianista Gerald Clayton, o post-bop do genial trumpetista Nicholas Payton e um lindo arranjo de Herbie Hancock para música da irrotulável cantora canadense Joni Mitchell.

18 junho 2011

ETC & Jazz - Programa 37



Esse programa foi ao ar no dia 7/6 com os sons do trumpetista Blue Mitchell, do violonista americano Charlie Byrd, da parceria Miles Davis-Gil Evans, do clarinetista Benny Goodman, do piano genial de Art Tatum, além dos mais contemporâneos David Binney, Chano Dominguez e a dupla Herbie Hancock-Stevie Wonder. O programa pode ser baixado aqui.

17 maio 2011

ETC & Jazz - Programa 32



Programa que foi ao ar dia 3/5 e tocou Pharoah Sanders, o trio mozartiano de John DiMartino, Ney Conceição, Chuck Hedges Quartet, o grupo sueco-chileno Urban Elements, Gil Evans Orchestra, além de uma homenagem de Herbie Hancock para Joni Mitchell, e a própria Joni Mitchell cantando acompanhada de uma banda de mestres do jazz (a pedido do amigo André Gião). Ouça acima ou baixe aqui.

11 março 2011

ETC & Jazz - Programa 23



Nesse programa, que foi ao ar dia 1/3, tocamos os sons de Andrew Hill, Herbie Hancock (na fase HeadHunters), Bud Powell Trio, Enrico Rava, Grupo Medusa, Charles Mingus e Trio Curupira. Ouça no player acima ou baixe aqui.

23 fevereiro 2011

Na estrada da improvisação

 O baterista adianta o ritmo, o piano dança sobre o baixo, o sax sobrevoa tudo, e todos seguem na mesma direção, desbravando a mesma música a partir de linhas e planos múltiplos, emaranhados, mas que se tocam e se concretizam em pontes, degraus, corrimãos, alçapões, chãos e outros pontos de apoio para os aventureiros que atravessam o nebuloso terreno.

Parecem cegos, mas sabem se guiar confiando nas pistas que vão deixando um para o outro. Parecem mentalmente confusos, mas conseguem saber o que o outro está pensando. Parecem perdidos mas avançam, prosseguem o curso da viagem às apalpadelas, passos curtos e firmes. E assim que alguém encontra terreno sólido, e não demora para os outros começarem novas explorações a partir daquele ponto.

Comunicação sem palavras. Expedição sem mapa. Criação coletiva. Todos sabem onde ir, mas o "como" é que vai sendo construído a cada nota, cada gesto, cada expressão. Linhas fugazes delimitam o caminho, mas logo se redesenham quando alguém pega um atalho. Os limites se alargam, o horizonte é mais além. Quanto mais longa a estrada, mais desafiadora e divertida se torna a viagem. Road of jazz. 

03 novembro 2010

ETC & Jazz - Programa 8



A oitava edição do ETC & Jazz na Rádio UFSCar (95,3 FM, São Carlos, SP) trouxe uma programação variadíssima - marca registrada do programa - com nomes de todas as épocas e estilos do jazz. Brad Mehldau Trio, Booker Ervin, Regra de Três Trio (com o baterista Bob Wyatt), Roberta Gambarini scat singing a lot, uma gig pesadíssima reunindo Gary Burton, Chick Corea, Pat Metheny, Dave Holland e Roy Haynes, outra gig pesadíssima reunindo Christian McBride, Mark Whitfield e Nicholas Payton, além de Herbie Hancock em sua fase pop-funk setentista. Imperdível, baixe e ouça com calma.

06 outubro 2010

ETC & Jazz - Programa 4



Ontem, 05/10, foi ao ar a quarta edição do ETC & Jazz na Rádio UFSCar 95,3 FM. Som de Maria João (com Aki Takase e NHOP), Bob James, Herbie Hancock (com Wayne Shorter, Chaka Khan e Anoushka Shankar), Roy Hargrove Big Band, Art Farmer, Benny Golson, Hélio Delmiro e Clare Fischer e uma bela composição do baixista mato-grossense Ebinho Cardoso. Você pode ouvir direto no player acima ou baixar por aqui.

Crítica do jazz, uma linguagem em transformação














O jazz é elástico. O termo ganhou definitivamente o poder de conferir ao objeto denominado por ele o status de música de nível, música cabeça, música boa. E é elástico porque cabe em muitas músicas. Os limites entre um gênero e outro estão cada vez mais tênues, e os críticos vêm tendo dor de cabeça para enquadrar certas bandas ou músicos neste ou naquele estilo de jazz.

Sim, sempre houve os guetos, rótulos como progressive jazz, easy-listening jazz, soul jazz, NUjazz, etc, mas estão cada vez mais dispensáveis (ou inúteis) para certas frentes do jazz. Aliás, "frentes" é um termo mais adequado devido ao próprio caráter de transformação que parece ser inerente ao gênero, sempre em movimento rumo a novas formas de expressividade musical, como  gramáticas e sintaxes que se vão imiscuindo em uma linguagem.

Fazer a resenha de um CD de jazz significa avaliá-lo dentro de alguns aspectos que dizem respeito às especificidades e qualidades que uma gravação de jazz deve ter. A pergunta é: quais são elas? Improviso? Sonoridade pessoal? Padrão "pergunta-resposta"? Forma? Escala blues? Swing? Devoção à tradição? Creio que tudo isso junto, e mais o senso de que se "o que se quer fazer é jazz", uma intencionalidade, uma certa tendência a querer unir todos esses aspectos em um estilo musical e buscar uma voz expressiva que se aproxime de todos esses conceitos.

Escrevo isso após ouvir meu quarto programa que acabou de ir ao ar agora. Tentando traçar uma certa linha "evolutiva" na escolha do repertório, selecionei na seqüência dois artistas que se enquadrariam no que pode se chamar de jazz fusion: "Westchester Lady" (de Bob James, do álbum "Two"), seguida de "The song goes on" (de Herbie Hancock, de seu último "The Imagine Project", com Wayne Shorter, Chaka Khan e Anoushka Shankar). E ao ouvir as duas canções, fiquei pasmo. Como pode ser? Duas músicas tão díspares, com concepções estéticas tão distintas, sendo "engolidas" pelo mesmo rótulo?

As "vozes" musicais de Bob James e Herbie Hancock (ambos pianistas, ambos encantados pela instrumentação eletroacústica, ambos cheios de influências da black music e do funk) são nitidamente a maior diferença. Enquanto Bob James filtra a intensidade do black e do funk pelo seu toque leve e seus arranjos magistrais para cordas e orquestra - atenuando o calor da expressão e chamando atenção para as sutilezas e interações entre groove e fraseado - Herbie Hancock potencializa a expressividade pura, importando-se apenas em interagir com o sax de Shorter e com as vozes de Khan e Shankar, sob uma "pseudo" raga indiana produzida por tablas e cítaras mixadas a programação eletrônica. Se fôssemos levar em conta os aspectos acima citados, teríamos uma tabela assim:

                                    Bob James         Herbie Hancock
Improviso?                         OK                       OK
Sonoridade?                       OK                       OK
Pergunta e resposta?           OK                       OK
Forma?                              OK                       OK
Swing?                               OK                       OK
Blue note?                          OK                       OK (e outras "notes" também...)
Tradição?                            ?                             ?  (qual tradição?...)

Se formos pensar na tradição como uma seqüência do jazz pós-Coltrane, pós-Miles, e na devoção aos cânones do bebop, swing era ou hard-bop, aí fica difícil... mas se pensarmos na tradição da black music, do funk, da música pop, acho que também é um "OK" pros dois. E é tudo fusion. Tudo jazz.

24 junho 2010

O jazz saiu pra passear com Herbie Hancock e...

Neste mês de junho de 2010 saiu o novo disco do pianista de jazz mais importante ainda vivo. Herbie Hancock (Chicago, 1940) é o elo perdido - ou achado - entre o jazz tradicional, a música contemporânea e o universo pop. Se há algum músico no mundo hoje capaz de dizer que toca funk, música eletrônica, música erudita, world music, música improvisada e jazz, é ele.

Hancock fez de sua música um reflexo de sua vida: livre, sem preconceitos, aberta, mas sempre objetiva, plena de caráter e personalidade. Quando criança, aos onze anos foi solista da Sinfônica de Chicago tocando Mozart por puro divertimento. Na adolescência, aprendeu a linguagem do jazz sem professores, apenas ouvindo discos de Bill Evans, George Shearing e os arranjos de Clare Fischer para grupos vocais. Ou seja, absorveu o melhor da música sem se importar com a fonte.

Neste último trabalho, "The Imagine Project", Hancock convidou vários artistas dos cinco continentes para, em cada faixa, criar uma concepção, um arranjo, uma abordagem para as canções - algumas icônicas da "mensagem global de paz" que o disco quer passar, como "Imagine" (Jonh Lennon) e "The Times, They Are A'Changin" (Bob Dylan). Improvisos sobre ragas indianas, tablas e cítaras; percussão malinesa, ritmos afrocaribenhos, vozes do oriente, guitarras distorcidas. Canção pop com harmonia outside. Improvisos sobre acordes básicos de rock. O resultado é interessantíssimo, até porque soa estranho pra quem gosta de jazz e estranho também para quem curte música pop. Um "estranho bom".


Não sei se são os solos tortos de Hancock em cima da harmonia certinha das composições, ou se é o clima cool com ritmos mais complexos e abstratos emoldurando as vozes mais comerciais, mas tudo nos faz ouvir o disco com um pouco mais de cuidado do que os críticos - a patrulha do jazz -, que se "horrorizaram" com o trabalho anterior de Hancock que seguia essa mesma linha ("Possibilities", de 2005, que trazia duetos com os mais variados artistas). Até porque as possibilidades abertas por este novo projeto são mais ousadas que a do anterior.

Apesar das misturas, a personalidade de Herbie Hancock prevalece, dando unidade ao trabalho. Personalidade que ele mostra desde que despontou na cena do jazz, no começo dos anos 60, quando tocava em clubes de bebop e destacava-se no grupo de Donald Byrd. Logo o legendário trumpetista Miles Davis convidou-o para integrar seu grupo - o maravilhoso quinteto que contava ainda com Wayne Shorter (tenor), Ron Carter (baixo) e Tony Willians (bateria).

Com Miles, o grupo perseguia um tipo novo de improvisação, sem se importar com as mudanças de acordes dos temas, e sim com o fluxo rítmico e melodias subliminares. Foi também com Miles que Hancock entrou em contato com o piano elétrico Fender Rhodes. Começava sua navegação pelo jazz experimental, funk elétrico e África. Ao sair do grupo de Miles, começou a explorar mais os sons eletrônicos de sintetizadores, produzindo discos com improvisação livre e técnicas eletroacústicas de composição.

No início dos anos 70, passou a procurar uma sonoridade mais simples, em que conseguiu sintetizar toda a sua experiência de improvisação, conhecimento dos ritmos e da cultura negra em um disco pop conceitual: "Head Hunters", lançado em 73, que causou um verdadeiro abalo nas estruturas do que até então se chamava jazz. Se a fusion de Miles Davis havia desafiado as hostes mais conservadoras do jazz, "envenenando-a" com sonoridades elétricas, ela agora parecia "bagunça" perto dessa versão mais "funkeada" criada por Hancock, que atingiu em cheio a cultura pop norte-americana.

Hancock criou ainda nos anos 70 seu grupo V.S.O.P., em que explorava a linguagem jazzística post-bop com verve e criatividade impressionantes. Portanto, passeava tranquilamente pelas veredas mais obscuras e vanguardistas do jazz, enquanto também chacoalhava o gênero com suas incursões pelo funk e música pop. Não foi à toa que, nos anos 80, após o lançamento de "Future Shock" (1983), Hancock tenha se tornado o primeiro artista de jazz a ter um videoclipe premiado na MTV (quem lembra desse hit, "Rockit", em que os robôs é que são os personagens?).

Seguiu ganhando Grammys, produzindo trilhas sonoras (inclusive aquela do inesquecível "Por volta da meia-noite", em que tudo é tocado ao vivo), jingles (a pérola "Mayden Voyage" foi criada para um comercial de perfume, acreditem se quiser) e gravando de tudo. Discos experimentais, duetos de piano, saxofone, guitarra, música eletrônica, música pop... até chegar a discos como este "The Imagine Project", que simplesmente passeiam por todos os territórios da música e, no caminho, derrubam algumas cercas.


Herbie Hancock - The Imagine Project (2010)


1. Imagine (apresentando India.Arie, Jeff Beck, Pink e Seal); 2. Don´t Give Up (com Pink e John Legend); 3. Tempo de Amor (com Céu); 4. Space Captain (com Susan Tedeschi e Derek Trucks); 5. The Times, They Are A'Changin' (com The Chieftans e Lisa Hannigan); 6. La Tierra (com Juanes); 7. Tamitant Tilay/Exodus (com K'Naan, Los Lobos e Tinariwen); 8. Tomorrow Never Knows (com Dave Matthews Band); 9. A Change is Gonna Come (com James Morrison); 10. The Songs Goes On (com Chaka Kahn, Anoushka Shankar e Wayne Shorter).

07 junho 2010

Gonzalo, tocando Jobim

A homenagem pra Tom Jobim no último Free Jazz Festival, em 1994, deu aos standards da Bossa Nova uma cara mais novaiorquina. Mais post-bop. O cubano Gonzalo Rubalcaba era um dos convidados. Assim, os improvisos ganharam também um sotaque latino, com o fraseado potente e assertivo do pianista contagiando todo o time.

No teclado, Herbie Hancock mediu bem os acordes, sem correr o risco de interferir na abordagem exótica e quase "ceciltayloriana" de Rubalcaba, cuja (piro)técnica rouba a cena - mas não a música. Ao contrário, a selvageria do pianista só faz elevar ainda mais a temperatura e deixa a geralmente morninha "Água de Beber" (Jobim/Vinícius de Moraes) praticamente em ebulição.

 

Nos anos 90, Gonzalo foi tão festejado na cena jazzística quanto a queda de um meteoro de ouro em plena Wall Street. E a primeira impressão que causou foi a de um furacão pianístico, de técnica exuberante e musicalidade indômita. Um cubano "caliente", renovando a vanguarda jazzística com imbatível rítmica afro e rajadas de montunos sobre compassos compostos. Mas não era só isso. Rubalcaba é inesquecível também pela interpretação impressionista, mínima e pungente, de baladas complexas, transformando-as em delicados poemas sonoros. É quando seu toque romântico, envernizado por harmonias surpreendentes, transcende o rótulo latin jazz e passa ser simplesmente música.


Essa sua faceta mais introspectiva e poética foi aproveitada pelo baixista e bandleader Charlie Haden no disco "Nocturne" (Verve, 2001), em que convidou o pianista cubano e outros músicos que tinham alguma relação com a música latina para criar uma atmosfera densa e charmosa ao interpretar canções da cultura afrocaribenha (boleros como "Contigo en la distancia", "Noche de Ronda" e "Tres palabras", por exemplo). Uma obra-prima, em que a linguagem jazzística refina as melancólicas e dolorosas melodias hispânicas, enquanto o colorido das canções dá fôlego a este soberbo noturno jazzístico.

Nocturne (2001) (pt.1) (pt.2)
 


Gonzalo Rubalcaba (piano); Ignacio Berroa (bateria); Joe Lovano, David Sanchez (tn sax); Pat Metheny (violão); Frederico Ruiz (violino)
1. En la Orilla del Mundo; 2. Noche de Ronda; 3. Nocturnal Marroquin; 4. Moonlight; 5. Yo Sin Ti;  6. No Te Empeñes Mas; 7. Transparence; 8. El Ciego; 9. Nightfall; 10. Tres Palabras; 11. Contigo en la Distancia 

14 março 2010

Milagre do Jazz

Milton Nascimento, no auge de sua carreira, se apresentando no Festival de Jazz de Montreal (Canadá). A música é a primorosa "Milagre dos Peixes" - milagre de complexidade e singeleza que só os gênios atingem em suas composições.




No show, gravado em 1990, o convidado especialíssimo Wayne Shorter destila notas inimagináveis ao sax soprano (aos 2'20'' ele começa o solo na mesma nota aguda que Milton emite no final de seu canto, e vai acrescentando elementos de grande expressividade até o final da música).

Shorter gravou o disco "Native Dancer", em 1974, ao lado do mineiro, improvisando e arranjando quase somente as canções de Milton (o pianista era Herbie Hancock, imagine o som...). Não há palavras para descrever as possibilidades. As composições oníricas, épicas, sensoriais de Milton (e sua voz sobre-humana) com o sax post-bop de Shorter. Só ouvindo pra crer.

O disco já fazia minha cabeça há anos, quando o encontrei numa das obtusas (e quase sempre surpreendentes) gôndolas das Lojas Americanas, custando uma merreca. "Tarde", "Ponta de Areia", "Milagre dos Peixes", além de composições funkeadas de Shorter e Hancock. Delírio tropical, de dois gênios americanos se arriscando na gruta azul mineira que é o universo poético de Milton. Não dá pra saber se resulta em um disco de música brasileira ou de jazz, pois os melhores elementos desses dois mundos se mostram de forma inseparável - seja nos ritmos intensos, seja na espontaneidade da interpretação.

Native Dancer (1974)

Wayne Shorter (soprano & tenor saxophones); Milton Nascimento (vocals); Herbie Hancock (piano, rhodes); Airto Moreira (percussão); Dave McDaniel (baixo), Robertinho Silva (bateria), Wagner Tiso (piano), Jay Graydon e Dave Amaro (guitarra & violão).


1. Ponta De Areia; 2. Beauty And The Beast; 3. Tarde; 4. Miracle Of The Fishes; 5. Diana; 6. From The Lonely Afternoons; 7. Ana Maria; 8. Lilia; 9. Joanna's Theme