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01 julho 2013

ETC & Jazz - Programa 65

O programa 65 contou com sons do pianista Jaki Byard, da cantora Laika, da dupla Lee Konitz & Martial Solal, do combo do trumpetista canadense Maynard Ferguson, do baterista de smooth/groove jazz Omar Hakim, do quinteto do baixista polonês Wojtek Mazolewsky e da cantora Jane Duboc junto com o sax barítono do legendário Gerry Mulligan. Baixe aqui.

26 março 2011

ETC & Jazz - Programa 25



Programa destacou os sons de alguns trios de jazz dos mais variados ramos: Bossa Jazz Trio, Martial Solal Trio, Bud Powell Trio e Rachel Z Trio, além do pós-bop de Nicholas Payton, o drive surpreendente do saxofonista David Murray (tocando clarone), o latin jazz do vibrafonista mexicano Vince Mendoza (com participação de Paquito D'Rivera) e um "jazzinho" mais comercial - e até que bonitinho - do grupo Special EFX, do guitarrista Chieli Minucci. Escute o programa ou baixe aqui.

25 julho 2010

Monk com as cores de Debussy

Se Thelonius Monk tivesse tido umas aulas com Debussy de composição impressionista, provavelmente soaria como Martial Solal (Algéria, 1927). Esse veterano pianista de jazz tem um estilo criativo e colorido, diferente da maioria dos músicos do chamado "estilo europeu" - mais introspectivo e escuro. No disco "Balade du 10 Mars" (1998), ele mostra como a arte do jazz pode evoluir quando se une o domínio da linguagem com um vasto repertório de sutilezas sonoras e técnicas requintadas.

Solal, filho de um cantor lírico e de uma professora de piano, tem o sol no nome e no som. Mesmo obscuros e nostálgicos standards, como "Round About Midnight", ganham pinceladas iluminadas, revelando novos ângulos de intepretação, novos cantos inexplorados. Sua versão da batida "Night and Day" pode ser facilmente considerada uma das mais ousadas que já se fizeram. 

Solal utiliza block chords sobre harmonias superestruturadas, como se buscasse novos caminhos para a melodia. Seu timing é monkiano, seu voicing é pós-moderno, sua técnica é abismal. Seu toque é sutil e denso, naturalmente perfeito para um prelúdio de Debussy, assim como sua paleta harmônica.

O som do trio é inovador, dinâmico, e assombra pela qualidade das reinterpretações de standards como "Softly as a morning sunrise" e "The Lady is a Tramp". O improviso é coletivo, com um grau de sensibilidade e integração fantástico. Enquanto o baixo de Marc Johnson salpica notas em um walking bass desconstruído, a condução despojada da bateria de Paul Motian conjuga o tempo à sua própria maneira. Mas não soa agressivo ou hermético - nem mesmo vago. 

A extrema liberdade e abstração do grupo é também coesa e integrada, como se todos andassem por estradas sonoras paralelas que se cruzam - ou se sobrepõem, como um quebra-cabeças sonoro que se encaixa em várias dimensões ocultas, que aparentemente não se pode perceber. Som de vanguarda. Coisa de "francês metido a besta", mas com uma boa dose de swing e criatividade.

Martial Solal Trio - Balade du 10 Mars


Martial Solal - piano; Marc Johnson - baixo acústico; Paul Motian - bateria



1. Night and day (5:47); 2. Gang of Five (6:39); 3. Softly as a morning sunrise (4:53); 4. Round About Midnight (7:08); 5. Almost like being in love (7:19); 6. Balade du 10 Mars (3:18); 7. The lady is a tramp (6:16). 8. My old Flame (4:22); 9. The newest old jazz (2:52)