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17 dezembro 2011
ETC & Jazz - Programa 49
Neste edição teve o pianista cubano Roberto Fonseca, o quinteto do pianista americano Red Garland, o trio do pianista italiano Antonio Faraó convidando Chris Potter, a banda do jovem pianista Taylor Eigsti, Leny Andrade acompanhada do grande pianista brasileiro Cesar Camargo Mariano, além do combo de Miles Davis dirigido por Gil Evans, o vibrafone contemporâneo de Jason Adasiewicz e uma dupla de veteranos, Jim Hall e Ron Carter. Baixe aqui.
20 julho 2011
ETC & Jazz - Programa 40
Quem diria, o programa chega a sua quadragésima edição, e mantendo a lógica "rizomática" de destacar, ressaltar, vibrar e excitar as conexões entre as muitas músicas do mundo e o jazz. O jazz como pensamento estético, arcabouço teórico, destino histórico, eminência parda. Com sons de Michel Camilo, Gerry Mulligan, J. J. Johnson, Miles Davis, Regina Carter, Sadao Watanabe e a fusão entre o grupo de hip-hop The Beast e a cantora Nenna Freelon. Baixe aqui.
18 junho 2011
ETC & Jazz - Programa 37
Esse programa foi ao ar no dia 7/6 com os sons do trumpetista Blue Mitchell, do violonista americano Charlie Byrd, da parceria Miles Davis-Gil Evans, do clarinetista Benny Goodman, do piano genial de Art Tatum, além dos mais contemporâneos David Binney, Chano Dominguez e a dupla Herbie Hancock-Stevie Wonder. O programa pode ser baixado aqui.
07 abril 2011
ETC & Jazz - programa 28
Nesse programa foram tocados os sons de Richie Beirach (em apresentação solo), grupo Amanã, Steps Ahead, Jan Garbarek Group, Shirley Horn, Tamba Trio e o quinteto quintessencial de Miles Davis ao vivo em Berlim (Autumn Leaves, 1964). Ouça acima ou baixe aqui.
07 maio 2010
Improvisando caminhos

Um quadro esquemático da evolução do jazz, por Joachim Berendt (1975, "Jazz, do Rag ao
Rock").
Uma definição de jazz é sempre complicada. Alguns preferem enquadrar o jazz num certo período, num certo país, centrado em determinados personagens-chave. Mais precisamente, dizendo que o gênero nasceu nos anos 1890 nas esquinas de New Orleans, se cristalizou no sucesso comercial das big bands dos anos 1930, se complicou nos anos 40 com o bebop e acabou no começo dos anos 70, quando se diluiu (ou se despurificou) com a mistura com o funk, o rock, a música latina e brasileira.
Outros preferem pensá-lo como uma cultura que não pode ser separada dos embates sociais, raciais e históricos norte-americanos – como faz o renomado crítico Stanley Crouch, que considera que a expressividade do jazz é fruto da luta dos negros para encontrar um caminho estético no turbulento e segregado showbizz american, e que os críticos brancos apoiam músicos brancos que não têm o mesmo valor que os negros.
Como música, o jazz absorveu as principais correntes da música popular e da música erudita de diversas culturas e países distintos, dando origem a novos “jazzes”, novas músicas, novas formas de interpretar, compor, ouvir. Mas alguns elementos musicais perduram nesses cruzamentos de estilos e gêneros. A presença do improviso – individual ou coletivo – por exemplo, é uma constante.
Apesar de existirem várias maneiras de improvisar, o jazz apresenta uma “fórmula” bastante comum. Com algumas exceções, os músicos apresentam uma sucessão de melodias que formam um todo coerente, geralmente dividido em partes, uma A e outra B. Em seguida, começam a improvisar sobre esse tema, criando novas melodias, mas seguindo a forma dada pelo tema original (a forma AA-B-A é a mais comum).
Sobre esse fundo sugerido pelo tema, os solistas se orientam e sabem quando a música está numa parte e não em outra. Isso acontece também com outros gêneros musicais, como o choro. Em outros estilos de jazz, é diferente: no free jazz, por exemplo, surgido na década de 60, os temas passaram a ter uma forma livre, não vinham mais acompanhados de harmonias pré-determinadas pelo compositor, ou nem mesmo existiam – como no disco em que o saxofonista Ornette Coleman colocou dois pianos, duas baterias, dois contrabaixos e dois sopros separados em dois grupos e pediu simplesmente que os músicos tocassem, sem nenhum tipo de partitura ou som-guia.
Algo que lembra a música africana e oriental, onde os músicos realizam o acompanhamento rítmico ao mesmo tempo em que cantam variações sobre a melodia principal. Já no flamenco, música de origem espanhola, é diferente: os músicos que acompanham o cantor nunca sabem quando ele vai parar de improvisar sobre um motivo e partir para outro – coisa que Miles Davis fez em algumas faixas do clássico disco “Kind of Blue”, de 1959.
No hip hop, o ritmo bem marcado e envolvente serve de base para um cantor improvisar letras em algum momento qualquer da música (o chamado “rap”). No jazz, o estilo “scat singing”, criado por Louis Armstrong e elevado à enésima potência por cantoras como Ella Fitzgerald e Sarah Vaughn, parece dar ao canto uma força semelhante. Na música klezmer, de origem judaica, os instrumentos improvisam coletivamente quase o tempo todo, geralmente sobre um acorde só (o chamado “modo”). O improviso coletivo é outra marca do jazz, principalmente nas primeiras bandas de rua de New Orleans.
Portanto, talvez o sucesso e o destaque que o jazz conseguiu no cenário cultural mundial seja o de, justamente, empregar este elemento presente nas mais diversas culturas musicais – o improviso – como uma força imanente ao gênero, resultado da habilidade individual dos solistas e da capacidade de comunicação em alto nível de ideias musicais entre os músicos e a plateia. Para quem toca, é um desafio; para quem ouve, significa o reforço da presença do elemento humano, que transcende a todo o momento os limites da música e da expressão.
* publicado no jornal A Folha de São Carlos, no caderno de cultura "Moitará", na coluna semanal ETC & Jazz, no dia 6/5.
23 setembro 2009
George Benson, um golpista?
Em sua coluna no site yahoo, o editor Regis Tadeu desceu o sarrafo no novo disco do guitarrista e cantor norte-americano George Benson, "Songs and Stories". Acho que Regis se decepcionou com o disco por basear sua opinião em uma noção errada: achar que Benson fosse um be-bopper. Por isso está um pouco exaltado na coluna, ao afirmar que o guitarrista "vendeu a alma" ao produzir um disco que é "uma trilha sonora perfeita para uma festa de bodas de prata".
Escutem e tirem suas conclusões:
"Digam se o solinho que começa aos 2 minutos é coisa de "comercialismo"...
Pergunto para o Regis Tadeu: porque Benson vendeu a alma? A alma dele não pode ser essa aí que estamos ouvindo, do cara que produz sucessos comerciais misturando boa técnica musical com melodias que "pegam" no ouvido? Benson faz o que faz com maestria, não apenas por "se preocupar em agradar um mercado que poderia lhe render uma grana muito maior". Esse é seu verdadeiro talento. Ao contrário do que afirma Tadeu, Benson é, sim, livre para fazer a música que ama, e é essa a que ele sempre fez.
Já há muitos anos que Benson é considerado um artista comercial no meio musical americano. Só os brasileiros aqui é que não sabiam direito o que era jazz e achavam que Benson era um be-bopper. Não é um jazzman, mas é um artista competente, verdadeiro, que traz para sua música o toque sutil e suingado do jazz, mas com arranjos simples que agradam o grande público. Assim faz Kenny G (que já tocou em gigs de jazz), Richard Clayderman (bom pianista erudito), Ray Conniff (que transformava qualquer música em hit de baile, é só ouvir as célebres gravações de Besame Mucho e o Concerto n5 de Tchaikovsky, que passaram do kitsch ao cult). Questionar este tipo de artista só vale se estivermos prontos a questionar nossos próprios ouvidos, que sempre desejaram e continuarão desejando boas melodias - que são necessárias na festa de "bodas", na festa de casamento, e em várias outras situações. Música é um produto que se usa igual remédio: em doses certas, nas horas certas.
Escutem e tirem suas conclusões:
"Digam se o solinho que começa aos 2 minutos é coisa de "comercialismo"...
Pergunto para o Regis Tadeu: porque Benson vendeu a alma? A alma dele não pode ser essa aí que estamos ouvindo, do cara que produz sucessos comerciais misturando boa técnica musical com melodias que "pegam" no ouvido? Benson faz o que faz com maestria, não apenas por "se preocupar em agradar um mercado que poderia lhe render uma grana muito maior". Esse é seu verdadeiro talento. Ao contrário do que afirma Tadeu, Benson é, sim, livre para fazer a música que ama, e é essa a que ele sempre fez.
Já há muitos anos que Benson é considerado um artista comercial no meio musical americano. Só os brasileiros aqui é que não sabiam direito o que era jazz e achavam que Benson era um be-bopper. Não é um jazzman, mas é um artista competente, verdadeiro, que traz para sua música o toque sutil e suingado do jazz, mas com arranjos simples que agradam o grande público. Assim faz Kenny G (que já tocou em gigs de jazz), Richard Clayderman (bom pianista erudito), Ray Conniff (que transformava qualquer música em hit de baile, é só ouvir as célebres gravações de Besame Mucho e o Concerto n5 de Tchaikovsky, que passaram do kitsch ao cult). Questionar este tipo de artista só vale se estivermos prontos a questionar nossos próprios ouvidos, que sempre desejaram e continuarão desejando boas melodias - que são necessárias na festa de "bodas", na festa de casamento, e em várias outras situações. Música é um produto que se usa igual remédio: em doses certas, nas horas certas.
O colunista ainda diz que Benson "contagiou" o produtor do disco, Marcus Miller, com seu suposto mau-gosto. Isso demonstra que o colunista não conhece muito bem o perfil do produtor, que é baixista e multiinstrumentista. Ele é um grande músico de jazz, mas sempre teve um pé no pop, rock, funk e eletrônica. Seu trabalho com Miles Davis teve pouco a ver com jazz mainstream, assim como o disco que produziu do mestre post-bop Wayne Shorter ("High Life", ganhador de um Grammy), onde todas as faixas têm loops programados - e ainda assim é um disco de tirar o fôlego devido à concepção arrojada e dinâmica. Miller não foi contagiado não, mas sim o contrário - com certeza foi ele quem deu uma direção mais pop ao disco de Benson, pois tem um entendimento espetacular de grooves e programações eletrônicas.
Se eu concordo com algo que Regis escreveu é que o jazz não ganha nada com este disco de Benson. Mas condená-lo por isso é um erro, pois o que o guitarrista faz não é jazz, mas boa música pop. E deve ser aplaudido por isso. Basta ouvir. Garanto que você vai sair assobiando as melodias.
21 setembro 2009
Jazz mantras - liberdade

(Jazz é estilo, não composição; qualquer tipo de música pode ser tocada como jazz, se se tiver o conhecimento)
Jelly Roll Morton
"Forget about upholding the tradition and just really be who you are."
(Não se preocupe em manter a tradição, seja apenas quem você é)
Terence Blanchard
(Não se preocupe em manter a tradição, seja apenas quem você é)
Terence Blanchard
"As long as there are people trying to play music in a sincere way, there will be jazz".
(Enquanto houver gente tentando tocar música de forma sincera, haverá jazz)
Lee Konitz
(Enquanto houver gente tentando tocar música de forma sincera, haverá jazz)
Lee Konitz
"I've found you've got to look back at the old things & see them in a new light."
(Acho que se deve debruçar sobre as coisas antigas e vê-las sob uma nova luz)
John Coltrane
(Acho que se deve debruçar sobre as coisas antigas e vê-las sob uma nova luz)
John Coltrane
"Don't play what's there, play what's not there."
(Não toque aquilo que está, toque aquilo que não está)
Miles Davis
(Não toque aquilo que está, toque aquilo que não está)
Miles Davis
"Jazz demands that you bring to it things that are valuable to you, that are personal to you."
(O Jazz pede que você acrescente coisas que têm valor pra você, que são pessoais)
Pat Metheny
(O Jazz pede que você acrescente coisas que têm valor pra você, que são pessoais)
Pat Metheny
"Hot can be cool & cool can be hot & each can be both. But hot or cool man, Jazz is Jazz."
(O hot pode ser cool, o cool pode ser hot, cada um pode ser o outro. Mas seja hot ou cool, jazz é jazz)
Louis Armstrong
(O hot pode ser cool, o cool pode ser hot, cada um pode ser o outro. Mas seja hot ou cool, jazz é jazz)
Louis Armstrong
"One of the things I like about jazz, kid, is I don't know what's going to happen next. Do you?"
(Uma das coisas que gosto no jazz, rapaz, é que não sei o que vai acontecer em seguida. Você sabe?)
Bix Beiderbecke
"Change is always happening. That's one of the wonderful things about jazz music."
(A mudança está sempre acontecendo. É uma das coisas maravilhosas do jazz)
Maynard Ferguson
"I think that what is important is that the music be honest, direct and that it is relevant to today."
(Acho que o que importa é que a música seja honesta, direta e relevante para os dias de hoje)
Dave Holland
(Uma das coisas que gosto no jazz, rapaz, é que não sei o que vai acontecer em seguida. Você sabe?)
Bix Beiderbecke
"Change is always happening. That's one of the wonderful things about jazz music."
(A mudança está sempre acontecendo. É uma das coisas maravilhosas do jazz)
Maynard Ferguson
"I think that what is important is that the music be honest, direct and that it is relevant to today."
(Acho que o que importa é que a música seja honesta, direta e relevante para os dias de hoje)
Dave Holland
03 abril 2009
Serialismos, ou rascunhos de haikai

Tony Reans
Encanto
no ouvido chovem
sóis e luas de sabores
vibram no céu da boca
***
Jazzymoon
no ouvido roçam
pétalas dóricas, silentes
miles davis de repente
***
Mantra 2 PM
entrou no ouvido
um mosquito esquisito
chamava-se cidade
***
Só
na areia quente
do deserto oco e infinito
o si bemol do vento
***
Do lado oeste da civilização
no ouvido cabem
tantos tons e apenas
doze soam bons
***
Zen news
sentado viu o tempo
virou a página do jornal
era amanhã de novo
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