23 fevereiro 2011

Na estrada da improvisação

 O baterista adianta o ritmo, o piano dança sobre o baixo, o sax sobrevoa tudo, e todos seguem na mesma direção, desbravando a mesma música a partir de linhas e planos múltiplos, emaranhados, mas que se tocam e se concretizam em pontes, degraus, corrimãos, alçapões, chãos e outros pontos de apoio para os aventureiros que atravessam o nebuloso terreno.

Parecem cegos, mas sabem se guiar confiando nas pistas que vão deixando um para o outro. Parecem mentalmente confusos, mas conseguem saber o que o outro está pensando. Parecem perdidos mas avançam, prosseguem o curso da viagem às apalpadelas, passos curtos e firmes. E assim que alguém encontra terreno sólido, e não demora para os outros começarem novas explorações a partir daquele ponto.

Comunicação sem palavras. Expedição sem mapa. Criação coletiva. Todos sabem onde ir, mas o "como" é que vai sendo construído a cada nota, cada gesto, cada expressão. Linhas fugazes delimitam o caminho, mas logo se redesenham quando alguém pega um atalho. Os limites se alargam, o horizonte é mais além. Quanto mais longa a estrada, mais desafiadora e divertida se torna a viagem. Road of jazz. 

2 comentários:

  1. Valeu Edison. Mas "belo" mesmo é esse quarteto, improvisam sem dó!!!

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